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Tarô é um oráculo de 78 cartas: 22 Arcanos Maiores, que falam dos grandes ciclos e lições da alma, e 56 Arcanos Menores, divididos em quatro naipes, que falam do dia a dia. Cada carta é um arquétipo, uma imagem simbólica que mora em todos nós. Por isso o Tarô funciona como um espelho da psique: ilumina o que está oculto, esclarece opções e aponta caminhos para quem consulta decidir com consciência. Não substitui ajuda médica ou psicológica.
Neste artigo
Namastê, amada e amado.
Eu estudo e pratico o Tarô há mais de 35 anos. Já cheguei a atender de seis a oito pessoas por dia com as cartas, e por muitos anos escrevi os textos de Tarô da revista Destino, da Editora Globo. E posso dizer, com o coração: para mim, o Tarô é sagrado.
Neste texto eu te conto o que é o Tarô, de onde ele vem, como ele funciona, para que serve e como fazer a sua primeira leitura, ainda hoje. Sem superstição e sem desdém. Do jeito que eu gostaria que alguém tivesse me explicado quando comecei.
O que é Tarô
Tarô é um oráculo de 78 cartas, dividido em dois grupos:
- 22 Arcanos Maiores, que contam a jornada da alma, do Louco ao Mundo;
- 56 Arcanos Menores, que falam do dia a dia, das pessoas e das escolhas.
A palavra arcano quer dizer segredo, mistério. Cada carta guarda um segredo, uma imagem simbólica que, como ensinou Carl Gustav Jung, mora em todos nós: um arquétipo. O Mago, a Imperatriz, o Eremita, a Morte, a Estrela. Quando você olha para elas, algo dentro de você reconhece.
Por isso eu digo que o Tarô é o grande mapa das emoções, da mente e da psique. Ele ilumina o que está oculto no passado, no presente e nas possibilidades do futuro, para que quem consulta possa decidir com mais clareza.
De onde vem o Tarô
A história do Tarô é mais curiosa do que muita gente imagina:
- Itália, século XV. As primeiras cartas de Tarô de que temos registro foram pintadas para famílias nobres do norte da Itália, como o belíssimo baralho Visconti-Sforza. Eram usadas, sobretudo, em um jogo de cartas.
- Europa, séculos seguintes. O baralho se espalhou e ganhou versões impressas. Entre elas, o Tarô de Marselha, que se tornou a grande tradição clássica europeia.
- França, século XVIII. Estudiosos do ocultismo, como Antoine Court de Gébelin, passaram a ver nas cartas um livro de sabedoria esotérica. Nasce aí o Tarô como oráculo e caminho de conhecimento.
- Inglaterra, início do século XX. O Rider-Waite, desenhado por Pamela Colman Smith sob a orientação de Arthur Edward Waite, ilustrou todas as 78 cartas e se tornou o Tarô mais usado no mundo. Pouco depois, Aleister Crowley criou, com as pinturas de Frieda Harris, o Tarô de Thoth, que une Cabala, Astrologia e magia.
Depois vieram muitos outros: o Tarô Zen do Osho, tarôs mitológicos, xamânicos, cristãos. Cada um é uma porta diferente para a mesma casa.
Como funciona o Tarô
Esta é a pergunta que mais ouço dos céticos, e ela merece uma resposta honesta.
O Tarô funciona pela linguagem dos símbolos. Quando você embaralha com uma pergunta no coração e tira uma carta, a imagem que aparece conversa com o que você está vivendo. Jung chamou de sincronicidade essas coincidências cheias de sentido, que não se explicam por causa e efeito, mas tocam a alma.
Na prática, uma leitura de Tarô une três coisas:
- O conhecimento técnico dos significados de cada carta e das tiragens;
- A intuição de quem lê, que percebe como as cartas conversam entre si;
- A abertura de quem consulta, que se reconhece nas imagens.
O Tarô não é um computador que dá respostas prontas. É um espelho. E um espelho bem polido mostra o que estava ali o tempo todo, mas você ainda não tinha visto.
O Tarô prevê o futuro?
O Tarô fala de tendências, não de sentenças. Ele mostra a energia de um momento e para onde ela tende a seguir se nada mudar. E é justamente aí que mora a liberdade: ao enxergar a tendência, você pode escolher mantê-la ou transformá-la.
Por isso eu desconfio de leituras que dizem "isso vai acontecer, não tem jeito". O futuro não está escrito em pedra. As cartas iluminam o caminho, mas os passos são seus. Uma boa leitura sai da mesa deixando a pessoa mais consciente e mais responsável pela própria vida, nunca mais assustada ou mais dependente.
Os quatro naipes dos Arcanos Menores
Os 56 Arcanos Menores se dividem em quatro naipes, cada um ligado a um elemento e a uma área da vida. Cada naipe tem dez cartas numeradas e quatro figuras da corte: Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei.
| Naipe | Elemento | Área da vida |
|---|---|---|
| Copas | Água | Emoções, amor, afetos, vínculos |
| Ouros | Terra | Matéria, dinheiro, trabalho, corpo |
| Espadas | Ar | Mente, pensamentos, conflitos, decisões |
| Paus (ou Bastões) | Fogo | Ação, energia, criatividade, projetos |
Os Arcanos Maiores, por sua vez, falam dos grandes ciclos e das grandes lições. Eu explico os 22, um a um, no artigo Arcanos Maiores do Tarô.
Para que serve o Tarô
Usado com seriedade, o Tarô pode ajudar a:
- Conhecer-se melhor, olhando para partes de você que pedem para ser vistas;
- Clarear decisões, esclarecendo opções e identificando obstáculos;
- Compreender relações, os encontros, os desencontros e o que cada vínculo ensina;
- Enxergar o oculto em uma situação, para agir com mais sabedoria;
- Reconhecer o propósito, o caminho sagrado e a missão da alma.
O que perguntar ao Tarô
A qualidade da leitura depende muito da pergunta. As melhores perguntas são abertas e voltadas para você:
- "O que eu preciso compreender nesta situação?"
- "Qual aprendizado esta relação me traz?"
- "O que favorece este caminho que estou considerando?"
Perguntas de sim ou não, ou sobre a vida de outras pessoas sem que elas saibam, costumam render leituras mais pobres. O Tarô fala melhor de quem pergunta.
Passo a passo: a sua primeira tiragem de uma carta
Se você tem um Tarô em casa, faça isto hoje. Se não tem, pode acompanhar com imagens das cartas:
- Escolha um momento tranquilo. Desligue o celular e respire fundo três vezes.
- Formule uma pergunta aberta para o dia: "O que eu preciso observar hoje?".
- Embaralhe com calma, pensando na pergunta, até sentir que está pronto.
- Tire uma carta e olhe para ela antes de ler qualquer significado. O que a imagem desperta em você? Que cores, gestos, objetos chamam a atenção?
- Anote a sua impressão em um caderno.
- Só então leia o significado tradicional da carta e compare com a sua impressão.
- À noite, releia e pergunte-se: onde essa carta apareceu no meu dia?
Repetido por algumas semanas, esse exercício simples ensina mais do que decorar significados.
Quem pode aprender a ler o Tarô?
Qualquer pessoa. Não é preciso ter dom especial nem mediunidade. O Tarô é técnico, simbólico e intuitivo ao mesmo tempo: a técnica se aprende estudando, o simbolismo se aprende convivendo com as cartas, e a intuição se desenvolve com a prática.
Há quem aprenda para se conhecer, há quem aprenda para atender como tarólogo ou terapeuta e há quem, com o tempo, sinta o chamado de ensinar. Todos começam do mesmo lugar: uma carta de cada vez, com respeito e curiosidade.
Tarô e Baralho Cigano: qual a diferença?
O Baralho Cigano, também conhecido como Lenormand, tem 36 cartas com imagens do cotidiano: a casa, o caminho, a carta, o cavaleiro, o trevo. Ele costuma ser lido de forma mais direta, combinando as cartas como frases.
O Tarô, com as suas 78 cartas, tem uma linguagem mais simbólica e arquetípica, que mergulha nos processos da alma. São oráculos diferentes, e também podem ser usados juntos.
Por onde seguir
Se você quer conhecer a jornada dos 22 Arcanos Maiores, leia Arcanos Maiores do Tarô. Se já sente vontade de aprender a ler as cartas, escrevi um guia com o caminho de estudo: Como aprender Tarô. E, se a ideia de arquétipo despertou a sua curiosidade, vale ler O que são arquétipos.
Em resumo
- O Tarô tem 78 cartas: 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores.
- As cartas surgiram na Itália e ganharam leitura esotérica na França.
- Cada carta é um arquétipo, uma imagem que fala da psique e da alma.
- O Tarô sério aponta caminhos; ele não decide nem condena ninguém.
- Perguntas abertas e voltadas a você rendem as melhores leituras.
Perguntas frequentes
O Tarô é adivinhação?
O Tarô pode ser usado de muitas formas, mas, no meu trabalho, ele não é adivinhação apressada. É um instrumento sério de autoconhecimento e aconselhamento, que ilumina o momento, esclarece opções e aponta tendências. Quem decide o caminho é sempre quem consulta.
O Tarô é uma religião?
Não. O Tarô é um oráculo e um instrumento de autoconhecimento, usado por pessoas de todas as crenças. Ele pode ser estudado em diálogo com Jung, a Cabala, a Numerologia e outras tradições, sem dogma.
Preciso ter dom ou mediunidade para ler o Tarô?
Não. O Tarô é técnico, simbólico e também intuitivo. Com estudo e prática, a leitura se torna natural, e a intuição se desenvolve com o tempo.
Qual a diferença entre Arcanos Maiores e Menores?
Os 22 Arcanos Maiores falam dos grandes temas e ciclos da alma, como a jornada do herói, do Louco ao Mundo. Os 56 Arcanos Menores, divididos em copas, ouros, espadas e paus, mostram as situações do dia a dia, as pessoas e os detalhes de cada área da vida.
Qual a diferença entre Tarô e Baralho Cigano?
O Tarô tem 78 cartas e uma linguagem fortemente simbólica e arquetípica. O Baralho Cigano, também conhecido como Lenormand, tem 36 cartas com imagens do cotidiano, como a casa, o caminho e a carta, e costuma ser lido de forma mais direta. São oráculos diferentes, que também podem ser usados juntos.
Posso tirar Tarô para mim mesmo?
Pode, e é uma das melhores formas de aprender. O cuidado é não fazer a mesma pergunta várias vezes até ouvir a resposta que você quer. Uma pergunta clara, uma tiragem e um tempo de reflexão valem mais do que dez tiragens ansiosas.
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De amor, com amor e ainda mais amor a ti.
Namastê · Otávio Leal (Dhyan Prem)
Quem escreve
Otávio Leal (Dhyan Prem)
Um dos precursores da visão holística no Brasil, astrólogo desde 1985, psicanalista e Estuda e pratica o Tarô há mais de 35 anos, iniciado no Budismo Tibetano no Nepal. Fundador da Escola Humani Amor, em São Paulo, ensina terapias e práticas espirituais há mais de 40 anos. Autor de 9 livros, entre eles Estilos de Reiki (Editora Alfabeto). Foram 29 anos na Rádio Mundial e 6 anos no programa Momento Zen, ao lado da Monja Coen.
As práticas descritas neste artigo são integrativas e complementares e não substituem diagnóstico, medicamento ou acompanhamento médico e psicológico.


