Mitos e Arquétipos · Para começar

O que são arquétipos: significado, a visão de Jung e os 12 arquétipos

O significado da palavra, a visão de Carl Gustav Jung, a diferença entre arquétipo, mito e símbolo, os 12 arquétipos do mito pessoal e um exercício para você reconhecer o seu ainda hoje.

Otávio Leal (Dhyan Prem)
Otávio Leal (Dhyan Prem)Psicanalista e terapeuta holístico há mais de 40 anos
9 min de leitura
Mural com deuses e heróis da mitologia grega em tons de azul e dourado, representando os arquétipos universais

Resposta rápida

Arquétipos são padrões universais de comportamento, sentimento e visão de mundo que aparecem nos mitos, nas histórias e em cada pessoa. O conceito vem da psicologia de Carl Gustav Jung, que os via como imagens do inconsciente coletivo, herdadas por toda a humanidade. Exemplos são o Herói, a Grande Mãe, o Sábio e o Bobo. O seu mito pessoal é o arquétipo que conduz a sua história, com as suas virtudes, sombras e caminhos de cura.

Neste artigo
  1. O que são arquétipos
  2. Jung e o inconsciente coletivo
  3. Arquétipo, mito e símbolo: qual a diferença?
  4. Os 12 arquétipos do mito pessoal
  5. O que é mito pessoal
  6. Onde os arquétipos aparecem na sua vida
  7. Exemplos de arquétipos nos mitos e no cinema
  8. Passo a passo: reconheça o seu arquétipo hoje
  9. Arquétipos são rótulos?
  10. Arquétipos e Astrologia

Namastê, amada e amado.

Você já percebeu que algumas histórias parecem ter sido escritas sobre você? Um filme em que você chora sem saber por quê, um mito antigo que fala exatamente da sua dor, um personagem em que você se reconhece por inteiro. Isso não é coincidência. É o encontro com um arquétipo.

Sou psicanalista e terapeuta holístico há mais de 40 anos, e os arquétipos atravessam todo o meu trabalho, da Astrologia ao Tarô. Neste texto eu te explico, com simplicidade, o que são os arquétipos, de onde vem essa ideia, quais são os 12 arquétipos do mito pessoal e como você pode começar a reconhecer o seu.

O que são arquétipos

Arquétipos são padrões universais de comportamento, sentimento e visão de mundo que aparecem nos mitos, nas histórias e em cada pessoa.

A palavra vem do grego: arché, origem, princípio, e typos, marca, modelo. Arquétipo é o modelo original, a forma primeira de onde nascem as cópias.

Pense na figura da mãe. Cada pessoa tem a sua mãe, única, com as suas qualidades e falhas. Mas, por trás de todas as mães do mundo, existe uma imagem comum: a que acolhe, nutre e protege. Essa imagem universal é o arquétipo da Grande Mãe. Ela aparece em deusas antigas, em histórias de fada, em santas e em personagens de cinema. E aparece em você, toda vez que você cuida de alguém.

Jung e o inconsciente coletivo

O conceito de arquétipo, como usamos hoje, vem do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Ele observou algo surpreendente: pacientes que nunca tinham lido mitologia sonhavam com imagens muito parecidas com as de mitos antigos, de culturas distantes.

Para explicar isso, Jung propôs que, além do inconsciente pessoal, feito das nossas memórias e experiências, existe uma camada mais profunda: o inconsciente coletivo, compartilhado por toda a humanidade. É ali que vivem os arquétipos, como estruturas herdadas que moldam a forma como sentimos, imaginamos e reagimos à vida.

Alguns arquétipos que Jung descreveu:

  • A Persona: as máscaras sociais que usamos para nos adaptar ao mundo.
  • A Sombra: aquilo que não reconhecemos em nós e, muitas vezes, projetamos nos outros.
  • A Anima e o Animus: o feminino interior no homem e o masculino interior na mulher.
  • O Self: o centro da psique, a totalidade que buscamos ao longo da vida.

Jung também falou da Grande Mãe, do Velho Sábio, da Criança Divina, do Herói e de muitos outros.

Arquétipo, mito e símbolo: qual a diferença?

Essas palavras andam juntas, mas não são a mesma coisa:

Conceito O que é Exemplo
Arquétipo O padrão universal, invisível em si mesmo O Herói
Mito A história que dá forma ao arquétipo A jornada de Ulisses de volta para casa
Símbolo A imagem que representa o arquétipo A espada, o caminho, o mar
Mito pessoal O arquétipo que conduz a sua história Uma vida guiada pela busca, como a do Explorador

O arquétipo é como a semente. O mito é a árvore que cresce dela. O símbolo é o fruto que a gente vê e toca.

Os 12 arquétipos do mito pessoal

No estudo do mito pessoal, trabalhamos com 12 arquétipos, organizados em uma jornada de evolução em três etapas:

  • Ego, os mitos da segurança e da identidade: o Inocente, o Órfão, o Guerreiro e o Caridoso.
  • Alma, os mitos da busca e da transformação: o Explorador, o Destruidor, o Amante e o Criador.
  • Self, os mitos da plenitude: o Governante, o Mago, o Sábio e o Bobo.

Cada um tem a sua visão de mundo, as suas virtudes, as suas fraquezas e o seu caminho de cura. O Inocente traz a fé na vida; o Guerreiro, a coragem; o Amante, a entrega; o Mago, a transformação; o Bobo, a leveza de viver o presente. Eu explico essa jornada em detalhes no artigo Mitos e arquétipos no autoconhecimento.

O que é mito pessoal

O seu mito pessoal é o arquétipo, ou o conjunto de arquétipos, que conduz a sua história. Ele explica o porquê de você enxergar a vida da forma que enxerga: o seu modo de pensar e sentir, as suas atitudes e os resultados que se repetem.

Todos temos um mito dominante e mitos secundários. E eles mudam com as fases da vida. Quem viveu a juventude como Guerreiro pode descobrir, na maturidade, o chamado do Sábio.

O dia mais importante da sua vida é quando você descobre o porquê do seu propósito. E o mito pessoal é uma das chaves para esse porquê.

Onde os arquétipos aparecem na sua vida

Os arquétipos não ficam nos livros. Eles se manifestam:

  • nos sonhos, com figuras que se repetem;
  • nos filmes e livros que mais tocam você;
  • nas relações, quando você sempre ocupa o mesmo papel, de cuidador, de salvador, de rebelde;
  • nas reações automáticas, aquelas que você repete mesmo sem querer;
  • nas escolhas profissionais, que muitas vezes seguem o chamado de um mito.

Exemplos de arquétipos nos mitos e no cinema

Os mitos antigos são o grande álbum de família dos arquétipos. Prometeu, que rouba o fogo dos deuses para entregá-lo aos humanos, fala do Criador e da coragem de desafiar a ordem estabelecida. Perséfone, que desce ao mundo subterrâneo e retorna a cada primavera, fala da morte e do renascimento. Ulisses, que atravessa mares e monstros para voltar para casa, é o Explorador e o Herói.

O cinema conta as mesmas histórias com roupas novas. Alguns exemplos que uso nas aulas:

  • Forrest Gump e o Inocente, com a sua fé desarmada na vida;
  • Coração Valente e o Guerreiro, com a coragem de lutar pelo que acredita;
  • Frida e o Criador, que transforma a dor em obra;
  • Gandhi e o Governante, que assume a responsabilidade de conduzir;
  • Comer Rezar Amar e o Explorador, que parte em busca de si.

Quando um filme mexe com você de um jeito que você não sabe explicar, preste atenção. Talvez ali esteja um mito pedindo para ser vivido.

Passo a passo: reconheça o seu arquétipo hoje

  1. Escreva três filmes, livros ou histórias que marcaram a sua vida.
  2. Para cada um, anote o personagem com quem você mais se identificou.
  3. Pergunte-se o que esses personagens têm em comum: lutam? cuidam? buscam? criam? transformam?
  4. Compare com a lista dos 12 arquétipos acima e marque os dois ou três que mais combinam.
  5. Observe a sua semana e anote quando esses arquétipos aparecem no seu comportamento.
  6. Escreva uma virtude e uma sombra de cada um que você encontrou.

Esse exercício simples já é um primeiro retrato do seu mito pessoal.

Arquétipos são rótulos?

Não, e esse cuidado é importante. Um arquétipo não é uma caixa onde você entra e de onde não sai mais. É uma força viva, que pode se expressar pela virtude ou pela sombra.

O Guerreiro pode ser coragem ou agressividade. O Caridoso pode ser generosidade ou sacrifício que adoece. O Sábio pode ser lucidez ou frieza. Conhecer o seu arquétipo não serve para justificar comportamentos ("eu sou assim mesmo"), mas para escolher como viver aquela energia.

E mais: você pode desenvolver, se desejar, as virtudes de outros arquétipos. Quem é muito Guerreiro pode aprender a leveza do Bobo. Quem é muito Inocente pode buscar o discernimento do Sábio. É assim que o mito pessoal deixa de ser destino e vira caminho.

Arquétipos e Astrologia

Na Astrologia de base junguiana, os planetas e os signos também são lidos como arquétipos: Marte é o Guerreiro, Vênus é o Amante, Saturno é o Velho Sábio. O Quiz dos 12 Arquétipos, que eu criei, revela o seu arquétipo astrológico predominante e os dois secundários em oito perguntas. Para entender essa ponte, leia O que é Astrologia.

E, se você já sente o chamado de estudar os mitos com profundidade, para a sua vida ou para os seus atendimentos, escrevi um guia completo: Como estudar arquétipos.

Em resumo

  • Arquétipos são padrões universais que vivem em todas as pessoas e culturas.
  • O conceito vem de Jung e da ideia de inconsciente coletivo.
  • Mitos, sonhos, filmes e histórias são onde os arquétipos aparecem.
  • Todos temos um mito dominante e mitos secundários.
  • Conhecer o seu mito ajuda a entender padrões e propósito de vida.

Perguntas frequentes

O que é um arquétipo, em palavras simples?

É um modelo universal de ser e de agir, que aparece em todas as culturas. A mãe que cuida, o guerreiro que luta, o sábio que orienta, o rebelde que rompe: você reconhece essas figuras em mitos, filmes e pessoas reais, porque elas também vivem dentro de você.

O que Jung disse sobre os arquétipos?

Para Carl Gustav Jung, os arquétipos são estruturas do inconsciente coletivo, uma camada profunda da psique compartilhada por toda a humanidade. Eles se expressam por imagens, símbolos e mitos, e moldam a forma como sentimos e reagimos à vida.

Quais são os 12 arquétipos?

No estudo do mito pessoal, os 12 arquétipos são o Inocente, o Órfão, o Guerreiro, o Caridoso, o Explorador, o Destruidor, o Amante, o Criador, o Governante, o Mago, o Sábio e o Bobo. Cada um tem a sua visão de mundo, as suas virtudes, as suas fraquezas e o seu caminho de cura.

Posso ter mais de um arquétipo?

Sim. Todos temos um mito dominante e mitos secundários, que mudam com as fases da vida. Os 12 arquétipos convivem em nós, mas alguns falam mais alto em cada momento.

Qual a diferença entre arquétipo e personalidade?

A personalidade é o jeito de ser que aparece por fora. O arquétipo é o padrão mais profundo que explica o porquê desse jeito de ser. Conhecer o seu arquétipo ajuda a entender a motivação por trás dos comportamentos.

Como descobrir o meu arquétipo?

Um bom começo é o Quiz dos 12 Arquétipos, gratuito, que revela o arquétipo astrológico predominante em 8 perguntas. Para o mito pessoal, o curso O Poder dos Mitos e Arquétipos traz um teste com pontuação para descobrir o arquétipo dominante e os secundários.

Um convite do coração

Se você se reconheceu em algum desses mitos, o próximo passo é descobrir qual deles conduz a sua história. No curso O Poder dos Mitos e Arquétipos eu te entrego um teste com pontuação, os 12 arquétipos em profundidade e o caminho para viver as virtudes do seu mito.

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Quem escreve

Otávio Leal (Dhyan Prem)

Um dos precursores da visão holística no Brasil, astrólogo desde 1985, psicanalista e Psicanalista e terapeuta holístico há mais de 40 anos, iniciado no Budismo Tibetano no Nepal. Fundador da Escola Humani Amor, em São Paulo, ensina terapias e práticas espirituais há mais de 40 anos. Autor de 9 livros, entre eles Estilos de Reiki (Editora Alfabeto). Foram 29 anos na Rádio Mundial e 6 anos no programa Momento Zen, ao lado da Monja Coen.

Site oficial · YouTube

As práticas descritas neste artigo são integrativas e complementares e não substituem diagnóstico, medicamento ou acompanhamento médico e psicológico.

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