Resposta rápida
Para meditar, sente-se de forma confortável, com a coluna ereta, feche os olhos e leve a atenção para a respiração. Quando a mente se distrair, perceba e volte com gentileza para o ar que entra e sai. Comece com cinco minutos por dia, sempre no mesmo horário, e aumente aos poucos. Meditar não é parar de pensar: é treinar a atenção para observar os pensamentos sem ser arrastado por eles.
Neste artigo
- O que é meditação, em poucas palavras
- Para que serve meditar
- Como meditar: passo a passo para começar hoje
- Qual a melhor postura para meditar
- "Minha mente não para": o que fazer com os pensamentos
- Quanto tempo meditar por dia e qual o melhor horário
- Como transformar a meditação em hábito
- Erros comuns de quem está começando
- Meditação e religião: preciso acreditar em algo?
- Para onde a meditação leva
Namastê, amada e amado. Que alegria ter você aqui.
Quando recebi de Osho o nome Dhyan Prem, que quer dizer meditação e amor, eu não imaginava o quanto essas duas palavras iam guiar a minha vida. Medito há mais de 40 anos e, ainda hoje, cada vez que me sento, sou um iniciante. É isso que a meditação tem de mais bonito: ela não é uma competição, é um reencontro.
Se você quer começar a meditar, ou se já tentou e sentiu que "não conseguia", este guia é para você. Vou te contar, com simplicidade, o que é meditação, como começar hoje e o que fazer quando a mente não para.
O que é meditação, em poucas palavras
Meditação é a prática de treinar a atenção e a consciência para acalmar a mente, observar pensamentos e emoções sem se identificar com eles e viver o momento presente.
Repare que eu não disse "parar de pensar". Esse é o maior mal-entendido sobre a meditação. A mente pensa, assim como o coração bate. Meditar é aprender a ver os pensamentos passarem como nuvens no céu, sem subir em cada uma delas.
E não existe uma única meditação. Existem dezenas de técnicas: algumas sentadas e silenciosas, como o Zazen e a Vipassana, e outras ativas, com movimento, respiração, som ou mantras. Muita gente desiste dizendo que não consegue meditar quando, na verdade, só ainda não encontrou a técnica certa. Eu apresento as principais no artigo Tipos de meditação.
Para que serve meditar
Quem medita com regularidade costuma relatar mudanças que tocam a vida inteira:
- mente mais calma e menos pensamento acelerado;
- mais facilidade para lidar com o estresse e a ansiedade do dia a dia;
- sono mais tranquilo;
- foco, presença e clareza nas decisões;
- mais capacidade de observar as emoções sem ser governado por elas;
- relações mais leves, com mais compaixão e menos reatividade;
- aprofundamento do autoconhecimento e da espiritualidade, com ou sem religião.
No Brasil, a meditação faz parte das Práticas Integrativas e Complementares do SUS, e é oferecida em unidades de saúde de vários municípios.
Como meditar: passo a passo para começar hoje
Esta é a prática que eu ensino a quem nunca meditou. Leva cinco minutos:
- Escolha o lugar. Um canto tranquilo da casa, sempre o mesmo, se possível.
- Sente-se. Numa cadeira, com os pés no chão, ou numa almofada, de pernas cruzadas. A coluna fica ereta, mas sem rigidez.
- Ajuste o tempo. Coloque um alarme suave para cinco minutos. Assim você não precisa ficar olhando o relógio.
- Feche os olhos ou deixe o olhar repousar no chão, um pouco à frente.
- Respire três vezes fundo e depois deixe a respiração voltar ao natural.
- Leve a atenção à respiração. Sinta o ar entrando e saindo pelas narinas, ou a barriga subindo e descendo.
- Quando se distrair, volte. Você vai se distrair muitas vezes. Cada vez que perceber, volte com gentileza para a respiração. Esse retorno é a meditação.
- Ao final, respire fundo, mexa as mãos e os pés e abra os olhos devagar.
Pronto. Você meditou. Amanhã, faça de novo.
Qual a melhor postura para meditar
A melhor postura é aquela em que você consegue ficar confortável e desperto ao mesmo tempo. Algumas opções:
- Na cadeira: pés apoiados no chão, costas afastadas do encosto, mãos sobre as coxas.
- Na almofada: pernas cruzadas, quadril um pouco mais alto que os joelhos, para a coluna se alinhar sozinha.
- De joelhos: sentado sobre os calcanhares ou num banquinho de meditação.
- Deitado: ótimo para relaxamento, mas cuidado, porque é fácil adormecer.
Você não precisa da postura de lótus. Precisa de uma coluna digna e de um corpo em paz.
"Minha mente não para": o que fazer com os pensamentos
Esta é a frase que eu mais ouço. E a resposta é sempre a mesma: a sua mente não é diferente da de ninguém. Todos nos distraímos. A diferença está em perceber e voltar.
Algumas dicas que ajudam muito:
- Dê nome ao pensamento. "Planejando." "Lembrando." "Preocupando." E volte para a respiração.
- Conte as respirações. De um a dez, e recomece. Se perder a conta, recomece do um, sorrindo.
- Use um apoio. Um mantra, o som de um sino, a chama de uma vela. O objeto certo sustenta a atenção.
- Experimente o movimento. Se ficar parado for difícil demais, as meditações ativas e a caminhada meditativa podem ser a sua porta.
Quanto tempo meditar por dia e qual o melhor horário
Comece com cinco a dez minutos. A regularidade conta muito mais do que a duração. Meditar cinco minutos todos os dias transforma mais do que uma hora uma vez por semana.
Quanto ao horário, o melhor é aquele que você consegue manter. Muitas tradições preferem o amanhecer, quando a casa está quieta e a mente ainda não se encheu do dia. Antes de dormir também é ótimo para desacelerar. Escolha um e transforme-o num pequeno ritual.
Você também pode espalhar pequenas meditações pelo dia: três respirações conscientes antes de abrir o computador, um minuto de silêncio antes de comer, alguns passos em atenção plena no caminho para o trabalho. Essas micro práticas não substituem a meditação sentada, mas costuram a presença ao longo das horas.
Como transformar a meditação em hábito
Saber meditar é fácil. Difícil é continuar. Por isso, eu sempre digo aos alunos que o primeiro desafio não é a técnica, é o hábito. Algumas sugestões que funcionam:
- Ancore a prática num gesto que já existe. Depois do primeiro copo de água, antes do café, logo depois do banho.
- Prepare o lugar na véspera. A almofada no canto, o celular longe, uma vela pronta para acender.
- Faça um desafio de 21 dias. Uma prática por dia, durante três semanas, anotando em uma linha como se sentiu. Vinte e um dias é tempo suficiente para a meditação deixar de ser uma intenção e começar a fazer parte da vida.
- Medite com alguém. Um amigo, a família, um grupo. A presença do outro sustenta a nossa nos dias de preguiça.
- Não espere vontade. Há dias em que você não vai querer. Sente-se mesmo assim, por dois minutos. Quase sempre, a vontade chega depois que você começa.
E, se falhar um dia, recomece no outro, sem culpa. A meditação é a arte de voltar. Inclusive para ela mesma.
Erros comuns de quem está começando
- Achar que meditar é esvaziar a mente. Não é. É observar, sem se apegar.
- Começar com tempo demais. Vinte minutos no primeiro dia costumam virar desistência no terceiro.
- Julgar cada sessão. Não existe meditação boa ou ruim. Existe meditação feita.
- Esperar sensações especiais. Às vezes vem paz profunda. Às vezes vem só tédio. Os dois fazem parte.
- Meditar só quando está mal. A prática regular, nos dias bons, é o que sustenta você nos dias difíceis.
Meditação e religião: preciso acreditar em algo?
Não. A meditação não pede que você mude de religião, nem que tenha uma. Ela é praticada por cristãos, budistas, judeus, hindus, espíritas, agnósticos e céticos. Há até meditações pensadas especialmente para os céticos.
Por isso eu gosto de falar em espiritualidade independente: um caminho que depende da sua prática, e não de um dogma ou de um intermediário. Você entra com o que é e sai com mais de si.
Para onde a meditação leva
Com o tempo, a meditação deixa de ser só uma técnica para acalmar e vira um caminho de autoconhecimento. As tradições deram nomes diferentes ao ponto mais profundo desse caminho: Samadhi, no Yoga, Satori, no Zen, Nirvana, no Budismo. Se essa palavra acende algo em você, leia O que é Satori.
Para conhecer as grandes escolas e descobrir a sua técnica, o próximo passo é Tipos de meditação. E, se você sente o chamado de compartilhar a meditação com outras pessoas, escrevi Como se tornar instrutor de meditação.
Em resumo
- Meditar é treinar a atenção e a consciência, e não parar de pensar.
- Cinco minutos por dia, com regularidade, já são um ótimo começo.
- Distrair-se faz parte: a prática é voltar, com gentileza.
- Existem dezenas de técnicas, sentadas ou em movimento.
- A meditação faz parte das Práticas Integrativas do SUS.
Perguntas frequentes
Como começar a meditar sozinho?
Escolha um horário e um lugar tranquilo, sente-se de forma confortável e leve a atenção à respiração por cinco minutos. Quando a mente se distrair, volte com gentileza. Faça isso todos os dias, no mesmo horário, e aumente o tempo aos poucos.
O que fazer quando a mente não para durante a meditação?
Nada de brigar com ela. Perceba que se distraiu, dê um nome ao pensamento, como planejando ou lembrando, e volte para a respiração. Cada vez que você volta, a meditação está acontecendo. Se ficar parado for difícil demais, experimente meditações ativas ou em movimento.
Quanto tempo devo meditar por dia?
Comece com cinco a dez minutos. A regularidade conta mais do que a duração: meditar cinco minutos todos os dias costuma transformar mais do que uma hora uma vez por semana. Com o tempo, muitas pessoas chegam naturalmente a vinte ou trinta minutos.
Qual o melhor horário para meditar?
O melhor horário é aquele que você consegue manter. Muitas tradições preferem o amanhecer, quando a casa está quieta e a mente ainda não se encheu do dia. Antes de dormir também funciona bem para quem quer desacelerar.
Preciso ter uma religião para meditar?
Não. A meditação é praticada por religiosos de várias tradições, por céticos e por buscadores sem religião. Ela não pede que você mude de crença, nem que tenha uma. Por isso falamos em espiritualidade independente.
Meditação faz parte do SUS?
Sim. A meditação integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Ela é oferecida como prática complementar e não substitui diagnóstico nem tratamento médico ou psicológico.
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Namastê · Otávio Leal (Dhyan Prem)
Quem escreve
Otávio Leal (Dhyan Prem)
Um dos precursores da visão holística no Brasil, astrólogo desde 1985, psicanalista e Recebeu de Osho o nome Dhyan Prem, Meditação e Amor, iniciado no Budismo Tibetano no Nepal. Fundador da Escola Humani Amor, em São Paulo, ensina terapias e práticas espirituais há mais de 40 anos. Autor de 9 livros, entre eles Estilos de Reiki (Editora Alfabeto). Foram 29 anos na Rádio Mundial e 6 anos no programa Momento Zen, ao lado da Monja Coen.
Fontes e referências
As práticas descritas neste artigo são integrativas e complementares e não substituem diagnóstico, medicamento ou acompanhamento médico e psicológico.


