Satori · Para escolher

Como praticar o despertar: koans, autoinvestigação, silêncio e como escolher um caminho

Cinco práticas do caminho do despertar explicadas passo a passo, uma rotina semanal para começar, os critérios para escolher um mestre ou um curso e os sinais de alerta que todo buscador precisa conhecer.

Otávio Leal (Dhyan Prem)
Otávio Leal (Dhyan Prem)Iniciado no Budismo Tibetano, no Nepal
9 min de leitura
Retrato de Otávio Leal (Dhyan Prem) em namastê, com uma mandala dourada ao fundo

Resposta rápida

O despertar não se conquista como um troféu, mas pode ser favorecido por práticas que aquietam a mente e afrouxam a identificação com o ego. As principais são a autoinvestigação com a pergunta Quem sou eu, os koans do Zen, o Zazen, o silêncio do jejum de palavras e os satsangs, encontros de silêncio e perguntas. Pratique um pouco todos os dias e, se quiser companhia, escolha um mestre ou um curso sério, sem dogma e sem promessas.

Neste artigo
  1. Dá para praticar o despertar?
  2. Prática 1: a autoinvestigação "Quem sou eu?"
  3. Prática 2: trabalhar com um koan
  4. Prática 3: Zazen, apenas sentar
  5. Prática 4: o jejum de palavras
  6. Prática 5: o satsang
  7. Uma rotina semanal para começar
  8. Como escolher um mestre ou um curso para o despertar
  9. Sinais de alerta
  10. O curso Satori da Escola Humani Amor

Namastê, amada e amado.

Se você chegou até aqui, provavelmente já sabe o que é o Satori e já sentiu, de algum jeito, o chamado do despertar. Agora vem a pergunta prática: "Otávio, o que eu faço com isso? Como se pratica o despertar?".

É uma pergunta paradoxal, e eu adoro paradoxos. Porque o despertar não é algo que se conquista com esforço, como quem sobe uma montanha. Mas também não é algo que acontece sem nenhuma disposição. Neste texto, vou te mostrar as práticas que, em mais de 40 anos de caminho, vi abrirem frestas na mente de muita gente, e os critérios que eu usaria para escolher um mestre ou um curso.

Dá para praticar o despertar?

Sim e não. Não dá para produzir o despertar, como se produz um resultado. A natureza desperta já está aqui. O que as práticas fazem é tirar os obstáculos do caminho: aquietar a mente, afrouxar a identificação com o ego, abrir espaço para o silêncio.

Por isso, no caminho do Satori, eu convido a meditar não para se iluminar, mas porque você já é. Parece só um jogo de palavras. Na prática, muda tudo: tira a ansiedade de chegar e devolve você ao presente. Se ainda não conhece a palavra, leia antes O que é Satori.

Prática 1: a autoinvestigação "Quem sou eu?"

É a prática mais direta que conheço, associada ao mestre indiano Ramana Maharshi.

  1. Sente-se em silêncio por alguns minutos e deixe a respiração se acalmar.
  2. Pergunte, por dentro: "Quem sou eu?".
  3. Perceba as respostas que surgem: o nome, a profissão, a história, o corpo, as emoções. Reconheça cada uma como um pensamento ou uma percepção, e solte.
  4. Pergunte então: "A quem esses pensamentos aparecem?". A resposta será "a mim". Volte: "e quem sou eu?".
  5. Em vez de procurar uma resposta com a mente, repouse na sensação de ser, anterior a qualquer palavra.
  6. Fique ali por dez a vinte minutos. Quando a mente voltar a correr, volte à pergunta.

Prática 2: trabalhar com um koan

O koan é uma pergunta do Zen sem resposta lógica, que desarma a mente. Escolha um e viva com ele por algumas semanas:

  • Quem é você?
  • Qual é o seu verdadeiro lar?
  • É possível aquietar a mente?
  • O silêncio pode ser uma resposta?
  • Quando você diz sim à sua vida?

Como praticar: leia o koan pela manhã, leve-o com você ao longo do dia e volte a ele em momentos de pausa. Não tente resolvê-lo com a inteligência. Deixe que ele trabalhe em você. Muitas vezes, a "resposta" não vem como frase, e sim como um silêncio repentino, um riso, uma clareza.

Prática 3: Zazen, apenas sentar

O Zazen é a meditação sentada do Zen. Não há técnica complicada:

  1. Sente-se numa almofada ou cadeira, com a coluna ereta e o queixo levemente recolhido.
  2. Deixe os olhos semiabertos, o olhar repousando no chão, um pouco à frente.
  3. Una as mãos no colo, com os polegares se tocando de leve.
  4. Respire naturalmente e apenas esteja presente. Pensamentos vêm e vão. Você não vai atrás deles.
  5. Comece com quinze minutos e aumente com o tempo.

No problema, pratique o Zazen. Essa é uma orientação simples que já ajudou muita gente a sair da reatividade.

Prática 4: o jejum de palavras

Uma das práticas mais transformadoras que conheço é o jejum de palavras: um período em que você não fala, não escreve mensagens e não consome conteúdo. Apenas vive em silêncio.

Comece com uma manhã por semana, ou com algumas horas de um domingo. Avise quem mora com você. Faça as tarefas normais da casa, caminhe, coma, observe. Você vai perceber quanto da sua identidade está pendurada nas palavras, e descobrir que você é o silêncio em que as palavras aparecem.

Prática 5: o satsang

Satsang vem do sânscrito e significa encontro com a verdade, ou estar na companhia da verdade. São encontros de silêncio, perguntas e respostas em que um mestre aponta para o despertar e os buscadores trazem as suas dúvidas: sobre o ego, a mente, a raiva, os relacionamentos, a Kundalini, o papel do mestre.

O satsang lembra que o caminho não precisa ser solitário. A presença de quem já reconheceu a própria natureza ajuda a reconhecer a nossa.

Uma rotina semanal para começar

Você não precisa fazer tudo de uma vez. Proponho uma semana simples, que pode se repetir:

Dia Prática Tempo
Segunda, quarta e sexta Autoinvestigação "Quem sou eu?" 15 minutos
Terça e quinta Zazen, apenas sentar 15 minutos
Todos os dias Um koan levado ao longo do dia Momentos de pausa
Sábado Satsang, presencial ou online, ou leitura de um mestre 1 hora
Domingo Jejum de palavras Uma manhã

Ao fim de cada dia, escreva uma linha sobre o que percebeu. Não para medir progresso, e sim para cultivar a atenção.

Como escolher um mestre ou um curso para o despertar

Se você sente que precisa de orientação, estes são os critérios que eu observaria:

  1. Vivência. A pessoa vive o que ensina? Há quanto tempo trilha o caminho? Com quais mestres aprendeu?
  2. Sem dogma. O caminho respeita a sua fé, ou a ausência dela, e não exige que você adote uma religião?
  3. Aponta para você. O mestre aponta para a sua natureza desperta, ou para si mesmo?
  4. Muitas tradições. Há diálogo entre o Zen, o Vedanta, o Budismo e o Cristianismo místico, ou só uma visão fechada?
  5. Prática, e não só conceito. Há satsangs, koans, meditações e desafios para viver o ensinamento no dia a dia?
  6. Espaço para perguntas. Você pode perguntar e ser respondido, inclusive sobre as suas dúvidas mais simples?
  7. Honestidade sobre os limites. O curso deixa claro que não substitui cuidado médico e psicológico?
  8. Tempo de acesso, certificado e garantia. Você terá tempo de assistir com calma, e pode desistir se não for o seu momento?

Sinais de alerta

Desconfie de quem promete iluminação em troca de dinheiro ou em prazo definido; de quem exige obediência cega, segredos ou afastamento da família; de quem humilha, manipula ou cria dependência; de quem se apresenta como o único caminho; e de qualquer contato físico ou emocional sem respeito e consentimento. O despertar é liberdade. Quem aprisiona em nome dele está apontando para o próprio ego, e não para o seu.

O curso Satori da Escola Humani Amor

Se você chegou até aqui, talvez já saiba o que procura. No curso Satori (Samadhi): iluminação intensiva e vislumbre do despertar instantâneo, eu reuni o que vivi em mais de 40 anos de busca, inspirado no Vedanta, no Zen e no grupo Iluminação Intensiva de Osho. São 160 videoaulas em 9 portais, com satsangs, koans, os ensinamentos de 16 mestres do despertar, a mensagem de Jesus lida pela ótica do despertar e a minha própria jornada espiritual, com o chat de perguntas e respostas em cada aula.

Há três bônus: um Desafio de 21 dias com lições de Zen baseadas nos ensinamentos da Monja Coen, a iniciação em um nome espiritual (Sannyas), que acontece num evento presencial em São Paulo, duas vezes por ano, ou por certidão online para quem não puder ir, e o meu livro O Poder da Iluminação, em PDF. E, se você também quer aprender dezenas de técnicas de meditação, a Formação Online em Meditação já inclui o Satori completo como bônus.

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Satori (Samadhi): iluminação intensivaSatsangs, koans e os ensinamentos dos mestres do despertar, inspirados no Vedanta, no Zen e na Iluminação Intensiva.Sem pré-requisitoR$ 728,00ou 12x de R$ 75,29
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Se ainda está entendendo o caminho, leia O que é Satori e Despertar da consciência. E, para uma base de meditação, veja Como meditar.

Em resumo

  • O despertar não se conquista: as práticas tiram os obstáculos do caminho.
  • A pergunta Quem sou eu é uma das práticas mais diretas.
  • Koans desarmam a mente lógica e abrem frestas de silêncio.
  • Um bom mestre aponta para você, e não para si mesmo.
  • Desconfie de quem promete iluminação ou pede obediência cega.

Perguntas frequentes

Como praticar o despertar da consciência?

Reserve alguns minutos por dia para práticas como a autoinvestigação com a pergunta Quem sou eu, a contemplação de um koan ou o Zazen. Inclua momentos de silêncio e leve a presença para as atividades simples do dia. A regularidade e a sinceridade importam mais do que a intensidade.

O que é autoinvestigação?

É a prática, associada ao mestre Ramana Maharshi, de voltar a atenção para a pergunta Quem sou eu. Em vez de buscar uma resposta com a mente, a pessoa observa de onde surge a sensação de eu, até repousar na consciência que percebe tudo.

O que é um satsang?

Satsang vem do sânscrito e significa encontro com a verdade, ou estar na companhia da verdade. São encontros de silêncio, perguntas e respostas em que um mestre aponta para o despertar e os participantes compartilham dúvidas sobre o caminho.

É possível alcançar a iluminação sozinho?

A natureza desperta é sua, e ninguém pode despertar por você. Mas a companhia de um mestre e de outros buscadores ajuda muito a reconhecer as armadilhas do ego e a manter a prática. O ideal é unir a prática pessoal a uma orientação séria.

Como saber se um mestre espiritual é confiável?

Observe se ele vive o que ensina, se respeita a sua liberdade, se não pede obediência cega nem dinheiro em troca de iluminação e se aponta para dentro de você, e não para si mesmo. Desconfie de promessas, segredos excessivos e pressão emocional.

Preciso saber meditar para fazer o curso Satori?

Não é obrigatório. O curso parte da ideia de meditar não para se iluminar, mas porque você já é. Quem quiser aprender dezenas de técnicas de meditação pode escolher a Formação Online em Meditação, que já inclui o Satori completo como bônus.

Um convite do coração

Você já sabe o que observar num caminho sério de despertar. Eu te convido a conhecer o Satori, em que reuni o que vivi em mais de 40 anos de busca: satsangs, koans, os mestres do despertar e um caminho sem dogma e sem atalhos.

Satori (Samadhi): iluminação intensiva com Otávio Leal (Dhyan Prem)

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Satori (Samadhi): iluminação intensiva

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De amor, com amor e ainda mais amor a ti.
Namastê · Otávio Leal (Dhyan Prem)

Otávio Leal (Dhyan Prem)

Quem escreve

Otávio Leal (Dhyan Prem)

Um dos precursores da visão holística no Brasil, astrólogo desde 1985, psicanalista e Iniciado no Budismo Tibetano, no Nepal, iniciado no Budismo Tibetano no Nepal. Fundador da Escola Humani Amor, em São Paulo, ensina terapias e práticas espirituais há mais de 40 anos. Autor de 9 livros, entre eles Estilos de Reiki (Editora Alfabeto). Foram 29 anos na Rádio Mundial e 6 anos no programa Momento Zen, ao lado da Monja Coen.

Site oficial · YouTube

As práticas descritas neste artigo são integrativas e complementares e não substituem diagnóstico, medicamento ou acompanhamento médico e psicológico.

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