Maithuna · Para começar

O que é Maithuna: o significado do rito tântrico da união

O significado da palavra, o lugar do Maithuna na tradição tântrica, a união de Shiva e Shakti, a diferença entre o ato mecânico e o ato sagrado e uma prática simples para começar.

Otávio Leal (Dhyan Prem)
Otávio Leal (Dhyan Prem)Estuda e ensina Tantra e Maithuna há mais de 30 anos
9 min de leitura
Casal sentado em abraço meditativo diante de uma cascata, com os braços erguidos e as mãos unidas em forma de triângulo

Resposta rápida

Maithuna é uma palavra sânscrita que significa união. No Tantra, é o rito em que o encontro do casal é vivido como meditação, presença e caminho para o divino, unindo Shiva, a consciência, e Shakti, a energia. Na tradição, é o quinto dos Panchamakara, os cinco elementos rituais, e o mais sutil deles. É realizado com carinho, paciência e consciência, com respiração, mantras, mudras e meditação, sempre a partir do consentimento e do respeito mútuo.

Neste artigo
  1. O que é Maithuna, em poucas palavras
  2. O significado da palavra Maithuna
  3. O lugar do Maithuna na tradição tântrica
  4. Shiva e Shakti: o sentido espiritual da união
  5. Do ato mecânico ao ato sagrado
  6. Por que o Maithuna é chamado de rito
  7. Os elementos do rito
  8. Zorba, o Buda: a terra e o céu no mesmo ser
  9. O que o Maithuna não é
  10. Uma prática para começar hoje
  11. Quem pode estudar o Maithuna?

Namastê, amada e amado.

Existe um momento, em toda relação de amor, em que duas pessoas percebem que o encontro poderia ser mais. Mais presente. Mais calmo. Mais verdadeiro. O Tantra tem um nome para esse encontro vivido como oração: Maithuna.

Eu estudo e ensino Tantra e Maithuna há mais de 30 anos. Neste artigo quero te apresentar, com delicadeza e sem mistificação, o que é o Maithuna, de onde ele vem, o que ele ensina sobre o amor e por que ele continua sendo uma das sabedorias mais raras e bonitas da tradição tântrica.

O que é Maithuna, em poucas palavras

Maithuna é o rito tântrico da união: o encontro do casal vivido como meditação, presença e caminho para o divino.

No Maithuna, a intimidade deixa de ser algo apressado, mecânico ou ansioso e passa a ser vivida com carinho, paciência e consciência. Há preparação. Há respiração. Há mantras, mudras e meditação. Há, sobretudo, respeito profundo pelo outro e por si.

O Maithuna não tem pressa. Tem presença.

O significado da palavra Maithuna

Maithuna é uma palavra sânscrita que significa união. Ela vem de mithuna, que quer dizer par, aquilo que está em dupla.

Como astrólogo, não posso deixar de contar uma curiosidade bonita: na astrologia da Índia, o signo de Gêmeos se chama justamente Mithuna, o par. O par que conversa, que se encontra, que troca. No Maithuna, esse par deixa de ser dois que disputam e se torna dois que se reconhecem.

O lugar do Maithuna na tradição tântrica

Na tradição tântrica existe um conjunto de cinco elementos rituais chamados Panchamakara, os cinco M, porque os nomes de todos eles, em sânscrito, começam com essa letra: madya, mamsa, matsya, mudra e maithuna.

O Maithuna é o quinto e o mais sutil deles. Ele conduz a energia vital, inclusive a energia sexual, para níveis mais elevados de consciência, na direção do Samadhi, o reconhecimento do Si Mesmo.

Vale dizer: as linhagens tântricas compreendem os Panchamakara de formas diferentes. Em muitas delas, esses elementos são vividos de forma simbólica e interior, como estados de consciência, e não como atos exteriores. Isso mostra o quanto o Tantra é mais profundo do que os estereótipos que chegaram até nós.

Shiva e Shakti: o sentido espiritual da união

Para entender o Maithuna, é preciso conhecer o casal divino do Tantra.

Shiva é a consciência, silenciosa e presente. Shakti é a energia, criativa, viva, em movimento. Para o Tantra, os dois habitam cada ser humano, e a jornada espiritual é o reencontro entre eles. Se quiser aprofundar essa visão, escrevi sobre ela em o que é Tantra.

No Maithuna, esse reencontro interior ganha uma expressão a dois. O masculino e o feminino deixam de disputar e passam a dançar. A dualidade se dissolve, e o que resta é unidade. Por isso se diz, na tradição, que o encontro do casal pode ser porta para o divino: não porque o corpo seja o fim, mas porque ele pode ser o caminho.

Do ato mecânico ao ato sagrado

Uma das formas mais claras de compreender o Maithuna é comparar o que aprendemos com o que o Tantra ensina:

Como aprendemos O que o Tantra ensina
Pressa, ansiedade e desempenho Tempo, respiração e presença
Corpo presente, mente distante Corpo, mente e alma no mesmo lugar
Energia que se perde no fim Energia que sobe e se transforma
Culpas e tabus herdados Intimidade vivida como sagrada
Encontro que separa depois Encontro que une ainda mais

Repare que nada disso fala de técnica. Fala de atitude. O Maithuna começa muito antes do toque: começa no olhar, na escuta, no tempo que se dá ao outro.

Por que o Maithuna é chamado de rito

Um rito é um gesto que separa o comum do sagrado. Acender uma vela, juntar as mãos, fazer silêncio antes de comer: tudo isso transforma um momento qualquer num momento consagrado.

O Maithuna é chamado de rito porque nele o encontro não acontece por acaso. Há uma intenção clara, um espaço preparado, um tempo reservado e uma atitude de reverência. Os dois se encontram como quem entra num templo: devagar, presentes, conscientes de que ali há algo maior do que eles.

É por isso que o Maithuna transforma tanto. Não porque ensine algo exótico, mas porque devolve ao encontro aquilo que a pressa roubou: a atenção, a escuta e o respeito.

Os elementos do rito

Na tradição em que eu ensino, a Tradição Tântrica Nath, o Maithuna envolve elementos que preparam o corpo, a energia e a consciência:

  • Preparação, do espaço, do corpo e da intenção;
  • Respiração, os pranayamas tântricos, que conduzem a energia;
  • Mudras, os gestos de poder que sustentam o rito;
  • Mantras, as sílabas sagradas que elevam a vibração;
  • Meditação, para que o encontro aconteça em estado de presença;
  • Movimentos suaves, sem pressa, em sintonia;
  • Reverência, a saudação ao sagrado que habita o outro.

Alguns ensinamentos do rito, na tradição tântrica, não se dizem antes da hora. São transmitidos com cuidado, contexto e preparação, a quem atravessa a porta. Isso não é segredo por vaidade. É respeito pelo tempo de cada pessoa.

Zorba, o Buda: a terra e o céu no mesmo ser

Meu mestre Osho falava de um ser humano inteiro, a quem chamava de Zorba, o Buda. Zorba é aquele que celebra a vida, dança, ama, saboreia a terra. Buda é aquele que medita, silencia, desperta. Durante séculos, disseram que era preciso escolher entre os dois.

O Tantra, e o Maithuna em especial, dizem o contrário: é possível ser os dois. Celebrar a vida sem perder a consciência. Meditar sem fugir do corpo. Amar sem deixar de estar presente. Essa visão acompanha o estudo do rito, e eu a considero uma das chaves para compreendê-lo.

O que o Maithuna não é

Para clarear de vez, vale dizer também o que o Maithuna não é:

  • Não é técnica de desempenho. Não existe meta a cumprir.
  • Não é obrigação. Nasce do consentimento, do desejo livre e da escuta mútua.
  • Não é performance. Ninguém precisa provar nada a ninguém.
  • Não é religião. Não exige crença específica.
  • Não é terapia de casal. Pode aprofundar a intimidade, mas não substitui acompanhamento profissional.

Uma prática para começar hoje

Esta prática pode ser feita a dois, vestidos, sentados, ou sozinho, diante de um espelho. Ela leva dez minutos e contém o espírito do Maithuna:

  1. Sentem-se frente a frente, confortáveis, a uma distância em que possam se olhar sem esforço.
  2. Combinem antes, com palavras: "vamos apenas respirar e nos olhar. Qualquer um pode parar quando quiser."
  3. Juntem as mãos em prece na altura do coração e façam uma reverência um ao outro.
  4. Fechem os olhos e respirem por dois minutos, cada um no seu ritmo.
  5. Abram os olhos e procurem, sem pressa, sincronizar a respiração.
  6. Mantenham o olhar suave por alguns minutos, sem falar.
  7. Encerrem com nova reverência e digam em silêncio: "o sagrado em mim saúda o sagrado em ti".
  8. Depois, conversem sobre o que sentiram.

Se estiver sozinho, faça o mesmo diante do espelho. Saudar o sagrado em si é o primeiro Maithuna.

Quem pode estudar o Maithuna?

Adultos que sentem que o amor pode ser mais. Casais que desejam uma intimidade mais profunda, presente e amorosa. Quem caminha só, por agora, e quer compreender a filosofia e preparar o próprio corpo e a própria energia. Terapeutas tântricos que desejam enriquecer a sua atuação. E buscadores espirituais que sabem que o corpo também é templo.

Se você quer compreender a visão tântrica da sexualidade com mais profundidade, leia sexualidade sagrada no Tantra. E, se já sente o chamado de aprender o rito, escrevi um guia sobre como aprender Maithuna com seriedade.

Em resumo

  • Maithuna significa união em sânscrito.
  • É o rito tântrico em que o encontro do casal se torna meditação e presença.
  • Na tradição, é o quinto e mais sutil dos Panchamakara.
  • Não tem pressa, nem desempenho: tem respiração, consciência e respeito.
  • Nasce sempre do consentimento, nunca da obrigação.

Perguntas frequentes

O que significa Maithuna?

Maithuna é uma palavra sânscrita que significa união. Ela se liga a mithuna, que quer dizer par. No Tantra, designa o rito em que o encontro do casal é vivido como meditação, presença e caminho para o divino.

Maithuna é o mesmo que sexo tântrico?

Não exatamente. A expressão sexo tântrico costuma ser usada no Ocidente para falar de técnicas de prazer. O Maithuna é um rito espiritual, com preparação, respiração, mantras, mudras e meditação, cujo propósito é a consciência e a união com o sagrado, e não o desempenho.

O Maithuna é uma prática religiosa?

Não é preciso seguir nenhuma religião. O Maithuna nasce da filosofia do Tantra e é vivido como caminho de autoconhecimento, presença e amor. Pessoas de todas as crenças podem estudá-lo.

O Maithuna é só para casais?

O rito é vivido a dois, mas o estudo pode ser feito sozinho. Muitas pessoas começam compreendendo a filosofia e preparando o próprio corpo e a própria energia, para depois compartilhar a prática com quem amam, sempre com consentimento.

O que são os Panchamakara?

São os cinco elementos rituais da tradição tântrica, cujos nomes em sânscrito começam com a letra M. O Maithuna é o quinto e o mais sutil deles. Em muitas linhagens, esses elementos são compreendidos de forma simbólica e interior.

O Maithuna substitui terapia de casal?

Não. O Maithuna é uma prática de autoconhecimento e de aprofundamento da intimidade. Ele não substitui terapia de casal nem acompanhamento médico ou psicológico. É um caminho para maiores de 18 anos.

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Quem escreve

Otávio Leal (Dhyan Prem)

Um dos precursores da visão holística no Brasil, astrólogo desde 1985, psicanalista e Estuda e ensina Tantra e Maithuna há mais de 30 anos, iniciado no Budismo Tibetano no Nepal. Fundador da Escola Humani Amor, em São Paulo, ensina terapias e práticas espirituais há mais de 40 anos. Autor de 9 livros, entre eles Estilos de Reiki (Editora Alfabeto). Foram 29 anos na Rádio Mundial e 6 anos no programa Momento Zen, ao lado da Monja Coen.

Site oficial · YouTube

As práticas descritas neste artigo são integrativas e complementares e não substituem diagnóstico, medicamento ou acompanhamento médico e psicológico.

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