Ikigai · Para aprofundar

Como descobrir o seu Ikigai: o exercício dos 4 círculos, passo a passo

Um roteiro completo para fazer o exercício do Ikigai em casa, com perguntas para cada círculo, uma tabela para ler os encontros e as pistas escondidas nos seus livros, filmes e ídolos.

Otávio Leal (Dhyan Prem)
Otávio Leal (Dhyan Prem)Terapeuta holístico há mais de 40 anos
9 min de leitura
Uma ponte de madeira que atravessa a mata em direção a uma luz dourada, imagem do caminho para o Ikigai

Resposta rápida

Para descobrir o seu Ikigai, responda por escrito a quatro perguntas: o que você ama, em que você é bom, do que o mundo precisa e pelo que você pode ser pago. Depois, procure as respostas que aparecem em mais de um círculo. Os encontros revelam a sua paixão, a sua missão, a sua vocação e a sua profissão. O Ikigai está onde os quatro se tocam, e se confirma na prática, ao longo das semanas.

Neste artigo
  1. Antes de começar: o Ikigai se descobre, não se inventa
  2. O que você vai precisar
  3. Passo 1: o que você ama
  4. Passo 2: aquilo em que você é bom
  5. Passo 3: aquilo de que o mundo precisa
  6. Passo 4: aquilo pelo que você pode ser pago
  7. Como ler os encontros entre os círculos
  8. Quando um círculo está vazio: os bloqueios mais comuns
  9. As pistas escondidas: livros, filmes, ídolos e a voz interior
  10. Ikigai, propósito e meta: qual a diferença?
  11. E depois do exercício?

Namastê, amada e amado.

Muita gente conhece o desenho do Ikigai, os quatro círculos coloridos que se cruzam no centro. Pouca gente, porém, para de verdade para fazer o exercício. E o Ikigai não se descobre olhando o desenho. Ele se descobre escrevendo, refletindo e vivendo.

Neste guia, eu te conduzo pelo exercício completo, círculo por círculo, do jeito que costumo conduzir com as pessoas que acompanho. Se você ainda está entendendo o conceito, comece pelo artigo O que é Ikigai e depois volte aqui.

Antes de começar: o Ikigai se descobre, não se inventa

Uma coisa importante antes de pegar a caneta: o seu Ikigai já existe. Ele não é algo que você vai fabricar agora, com força de vontade. Ele está espalhado na sua história, nas coisas que você faz sem que ninguém peça, nas conversas que te esquentam o peito, nas dores do mundo que te incomodam mais do que aos outros.

O exercício serve para juntar essas peças. Por isso, responda com sinceridade, e não com o que você acha que deveria responder. Ninguém vai ler esta folha além de você.

O que você vai precisar

  • Uma folha grande ou um caderno só para isso.
  • Uma ou duas horas sem celular, num lugar tranquilo.
  • Canetas de quatro cores, uma para cada círculo, se quiser.
  • Honestidade, inclusive para escrever coisas que parecem pequenas demais.
  • Paciência, porque você vai voltar a esta folha nos próximos dias.

Passo 1: o que você ama

Este é o círculo do coração. Escreva tudo o que vier, sem filtrar. Algumas perguntas que ajudam:

  • O que você fazia quando criança e perdia a noção do tempo?
  • Sobre o que você conversaria por horas, com prazer?
  • O que você faria num sábado livre, sem ninguém olhando?
  • Que tipo de conteúdo você consome sem que ninguém mande?
  • Em que momentos da semana você se sente mais vivo?

Escreva pelo menos dez itens. Se travar, lembre-se de que amor não precisa ser grandioso. Gostar de organizar gavetas também conta.

Passo 2: aquilo em que você é bom

Este é o círculo dos talentos. Aqui, muita gente se diminui. Por isso, vá além da sua própria opinião:

  • O que as pessoas costumam te pedir ajuda para fazer?
  • O que você aprende com mais facilidade do que os outros?
  • Que elogios você recebe e costuma desviar?
  • Que problemas você resolve quase sem esforço?
  • Que habilidades você desenvolveu com estudo e prática?

Uma sugestão que funciona muito bem: mande uma mensagem para três pessoas que te conhecem e pergunte "no que você acha que eu sou bom?". As respostas costumam surpreender.

Passo 3: aquilo de que o mundo precisa

Este é o círculo do serviço. O mundo, aqui, pode ser a humanidade inteira ou a sua rua, a sua família, o seu bairro. Pergunte-se:

  • Que dor das pessoas mais te incomoda?
  • Que injustiça faz você querer arregaçar as mangas?
  • Se você pudesse resolver um problema, qual seria?
  • Que tipo de pessoa você gostaria de ajudar?

O propósito que dura nasce do que você entrega, e não do que você mostra. Servir ou ser visto? Essa é uma das perguntas que mais mudam uma vida.

Passo 4: aquilo pelo que você pode ser pago

Este é o círculo do sustento. Ele não é menos espiritual do que os outros. Unir o ser e o ter é parte do caminho.

  • Pelo que as pessoas já te pagaram, ou pagariam?
  • Que habilidades suas têm valor no mercado?
  • Que serviços parecidos com o que você ama já existem e são remunerados?
  • O que você poderia aprender para transformar um talento em renda?

Se este círculo estiver vazio, não se assuste. Ele costuma ser o mais fácil de construir quando os outros três estão claros.

Como ler os encontros entre os círculos

Agora, olhe para as quatro listas e marque as respostas que aparecem, de algum jeito, em mais de um círculo. É nesses encontros que a sua vida já está alinhada. E é na falta deles que mora o próximo passo.

Encontro Círculos Como costuma ser sentido O que costuma faltar
Paixão Ama + é bom Prazer e realização pessoal Sentir que serve a alguém e ser remunerado
Missão Ama + o mundo precisa Entusiasmo e sentido Habilidade desenvolvida e sustento
Vocação O mundo precisa + pode ser pago Utilidade e estabilidade Amor pelo que faz e domínio da prática
Profissão É bom + pode ser pago Conforto e segurança Encantamento e sentido maior

Se você vive na profissão, mas sente um vazio, talvez falte amor. Se vive na missão, mas as contas não fecham, talvez falte desenvolver o talento e o sustento. Cada lacuna é um convite, não uma sentença.

Quando um círculo está vazio: os bloqueios mais comuns

Quase todo mundo termina o exercício com um círculo mais vazio que os outros. Isso não é defeito. É informação. Os bloqueios que mais vejo são estes:

  • O medo de não ser bom o bastante. A pessoa ama algo, mas não se permite escrever que é boa naquilo. O medo é um sequestrador silencioso da alma: ele paralisa as escolhas antes mesmo de elas nascerem.
  • A comparação. "Fulano faz isso muito melhor." Pode ser. Mas o mundo não precisa só do melhor. Precisa do seu jeito de fazer.
  • A culpa de ganhar dinheiro com o que ama. Muita gente espiritualizada esvazia o quarto círculo por achar que sustento e sagrado não combinam. Combinam. Um terapeuta que não consegue se sustentar não consegue continuar servindo.
  • A pressa. Quer a resposta hoje, completa, definitiva. O Ikigai não funciona assim.
  • O excesso de opções. Há quem tenha tantas paixões que não consegue escolher. Nesse caso, o círculo do mundo ajuda: qual delas serve mais a alguém?

Quando perceber o seu bloqueio, dê nome a ele e escreva na margem da folha. Só reconhecer já tira metade do peso.

As pistas escondidas: livros, filmes, ídolos e a voz interior

Quando as listas não bastam, procure o seu propósito naquilo que te encanta nos outros. Eu costumo propor quatro perguntas extras:

  1. Que livros marcaram a sua vida? O que eles têm em comum?
  2. Que filmes te fazem chorar? Que tipo de herói ou de jornada aparece neles?
  3. Quem são os seus ídolos? O que você admira neles, além do sucesso?
  4. O que a sua voz interior repete há anos, e você finge que não ouve?

Os nossos ídolos, muitas vezes, são espelhos daquilo que ainda não tivemos coragem de ser. Se quiser aprofundar esse olhar simbólico, os arquétipos ajudam muito: leia Mitos e arquétipos no autoconhecimento.

Ikigai, propósito e meta: qual a diferença?

Esses conceitos se parecem, mas não são a mesma coisa:

  • Ikigai é a razão de viver, o porquê de acordar todas as manhãs.
  • Propósito é a direção que dá sentido às suas escolhas.
  • Meta é um resultado concreto, com prazo.

O Ikigai inspira o propósito. O propósito orienta as metas. E as metas, cumpridas com o coração, alimentam o Ikigai. É um ciclo vivo.

E depois do exercício?

O papel é só o começo. Escolha um pequeno teste para esta semana: uma conversa com alguém que já vive aquilo que você deseja, uma aula, um trabalho voluntário, um primeiro serviço. Observe como você se sente antes, durante e depois. O corpo confirma o Ikigai antes da mente. Se você sente leveza, curiosidade e vontade de repetir, está no caminho. Se sente peso e alívio quando termina, talvez aquela resposta fosse mais um dever do que um amor. As duas descobertas são valiosas.

Volte à sua folha daqui a um mês e refaça o exercício. O que mudou? O que se manteve? O que se manteve é, quase sempre, o mais verdadeiro.

Se você sente que o desafio agora é transformar tudo isso em rotina, enfrentar o medo e tomar decisões, escrevi um caminho prático em Como encontrar o seu propósito de vida.

Em resumo

  • O exercício tem quatro perguntas, uma para cada círculo.
  • Escreva à mão, sem julgar, e volte às respostas depois de alguns dias.
  • Os encontros entre os círculos mostram o que já está alinhado.
  • O círculo vazio mostra o próximo passo, não um fracasso.
  • O Ikigai se confirma na prática, e não só no papel.

Perguntas frequentes

Como fazer o exercício do Ikigai?

Divida uma folha em quatro partes e responda, sem pressa, às perguntas de cada círculo: o que você ama, em que é bom, do que o mundo precisa e pelo que pode ser pago. Depois, marque as respostas que se repetem em mais de um círculo. É ali que o seu Ikigai começa a aparecer.

Quanto tempo leva para descobrir o meu Ikigai?

A primeira versão do exercício leva uma ou duas horas. Mas o Ikigai costuma se revelar ao longo de semanas, à medida que você testa as respostas na vida real. Não tenha pressa: clareza verdadeira raramente chega num único dia.

E se eu não souber em que sou bom?

Pergunte a três pessoas que te conhecem bem o que elas te pedem ajuda para fazer. Olhe também para o que você aprende com facilidade e para os elogios que você costuma desviar. Os nossos talentos são, muitas vezes, tão naturais que não os enxergamos.

Existe teste de Ikigai online?

Existem muitos questionários, e alguns ajudam a começar a conversa consigo mesmo. Mas o Ikigai não é um resultado de teste: é uma descoberta que você faz escrevendo, refletindo e experimentando. Use os testes como ponto de partida, nunca como sentença.

O meu Ikigai pode mudar com o tempo?

Sim. Você muda, o mundo muda e as necessidades à sua volta também. É natural que o Ikigai amadureça ao longo da vida. Refazer o exercício de tempos em tempos é uma forma bonita de acompanhar a sua própria evolução.

Qual a diferença entre paixão, missão, vocação e profissão no Ikigai?

Paixão é o encontro do que você ama com aquilo em que é bom. Missão une o que você ama e o que o mundo precisa. Vocação junta o que o mundo precisa e aquilo pelo que pode ser pago. Profissão une aquilo em que é bom e aquilo pelo que pode ser pago.

Um convite do coração

Agora que você conhece o exercício, imagine fazê-lo com calma, aula por aula, com as metas, as crises e as escolhas que aparecem no caminho. É isso que o curso Ikigai oferece: 41 aulas para descobrir o seu porquê e viver com ele, no ser e no ter.

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Quem escreve

Otávio Leal (Dhyan Prem)

Um dos precursores da visão holística no Brasil, astrólogo desde 1985, psicanalista e Terapeuta holístico há mais de 40 anos, iniciado no Budismo Tibetano no Nepal. Fundador da Escola Humani Amor, em São Paulo, ensina terapias e práticas espirituais há mais de 40 anos. Autor de 9 livros, entre eles Estilos de Reiki (Editora Alfabeto). Foram 29 anos na Rádio Mundial e 6 anos no programa Momento Zen, ao lado da Monja Coen.

Site oficial · YouTube

As práticas descritas neste artigo são integrativas e complementares e não substituem diagnóstico, medicamento ou acompanhamento médico e psicológico.

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