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Ikigai é uma palavra japonesa que significa, em tradução livre, razão de viver: o motivo pelo qual você acorda todas as manhãs. No Ocidente, ficou conhecido como o ponto de encontro de quatro círculos: o que você ama, aquilo em que é bom, aquilo de que o mundo precisa e aquilo pelo que pode ser pago. É associado à longevidade de Okinawa, no Japão, e é, antes de tudo, um estilo de vida.
Neste artigo
Namastê, amada e amado. Que alegria ter você aqui.
Se você chegou até este texto, talvez esteja se perguntando por que acorda todas as manhãs. Talvez a vida esteja cheia de tarefas e vazia de sentido. Ou talvez você já tenha visto aquele desenho com quatro círculos coloridos e queira entender de verdade o que ele significa. Eu acompanho pessoas em busca de sentido há mais de 40 anos, e vou te contar aqui, com simplicidade, o que é o Ikigai e por que ele pode mudar a forma como você vive.
O que é Ikigai, em poucas palavras
Ikigai é uma palavra japonesa que significa, em tradução livre, razão de viver. É o motivo pelo qual você acorda todas as manhãs. Não é uma meta, não é um cargo, não é um troféu. É aquilo que faz a sua vida valer a pena, hoje.
No Ocidente, o Ikigai ficou conhecido como o ponto em que se encontram quatro perguntas: o que você ama, aquilo em que você é bom, aquilo de que o mundo precisa e aquilo pelo que você pode ser pago. Quando essas quatro respostas se tocam, nasce uma vida com sentido.
Eu gosto de dizer que a sua missão de vida é, acima de tudo, um estilo de vida. O Ikigai não é algo que você encontra uma vez e guarda na gaveta. É algo que você pratica, todos os dias.
O significado da palavra Ikigai
Em japonês, Ikigai se escreve 生き甲斐, e pode ser lido em duas partes:
- Iki (生き) está ligado a viver, à vida, ao estar vivo.
- Gai (甲斐) está ligado a valor, a efeito, àquilo que vale a pena.
Juntas, as duas partes formam algo como aquilo que faz a vida valer a pena. Repare que a palavra não fala em sucesso, nem em riqueza, nem em fama. Fala em valor. Em sentido. Em algo que dá gosto de viver.
Os 4 círculos do Ikigai
O jeito mais conhecido de explicar o Ikigai é um diagrama com quatro círculos que se sobrepõem. Cada círculo é uma pergunta:
- O que você ama? Aquilo que faz o seu coração se acender.
- Em que você é bom? Os seus talentos, os seus dons e as habilidades que você desenvolveu.
- Do que o mundo precisa? A dor, a falta ou o desejo das pessoas que você pode servir.
- Pelo que você pode ser pago? Aquilo que tem valor para os outros a ponto de sustentar a sua vida.
Os encontros entre os círculos revelam o que já existe na sua vida:
| Encontro | Círculos que se tocam |
|---|---|
| Paixão | O que você ama e aquilo em que é bom |
| Missão | O que você ama e aquilo de que o mundo precisa |
| Vocação | Aquilo de que o mundo precisa e aquilo pelo que pode ser pago |
| Profissão | Aquilo em que é bom e aquilo pelo que pode ser pago |
No centro, onde os quatro se encontram, está o Ikigai. Eu explico como fazer esse exercício, círculo por círculo, no artigo Como descobrir o seu Ikigai.
Ikigai no Japão e no Ocidente: qual a diferença?
Aqui vai uma honestidade que pouca gente conta. O diagrama dos quatro círculos é uma leitura ocidental do Ikigai, que ficou popular no mundo inteiro por ser clara e prática. No Japão, a palavra costuma ser usada de um jeito mais simples e mais íntimo.
Para um japonês, o Ikigai pode ser cuidar dos netos, regar o jardim ao amanhecer, preparar o chá para a família, ensinar um ofício, encontrar os amigos de sempre. Não precisa render dinheiro. Precisa dar sentido.
Eu acho essas duas leituras complementares. O diagrama ajuda você a organizar a vida, inclusive o trabalho e o sustento. A visão japonesa lembra que a razão de viver mora também nas pequenas coisas. O ser e o ter caminham juntos.
Ikigai e longevidade: o que Okinawa ensina
O Ikigai é associado à longevidade de Okinawa, no Japão, conhecida como a ilha dos centenários. Okinawa e a península de Nicoya, na Costa Rica, estão entre as chamadas zonas azuis, regiões onde muitas pessoas passam dos cem anos com saúde e alegria.
O que essas culturas têm em comum? Algumas lições se repetem:
- Um porquê para levantar da cama. Em Okinawa se fala em Ikigai. Em Nicoya, em plan de vida.
- Laços que sustentam. Em Okinawa, existem os moai, grupos de amigos que se apoiam a vida inteira.
- Comer com moderação. Há um ditado em Okinawa, hara hachi bu, que lembra de parar de comer antes de ficar cheio.
- Movimento natural. Caminhar, cuidar da horta, trabalhar com as mãos, sem pressa e sem parar.
- Gratidão e leveza. Uma relação mais simples com o tempo e com a vida.
Ter um porquê muda a saúde do corpo, das emoções e da mente. Não é mágica. É sentido.
Para que serve o Ikigai
Quem pratica o Ikigai costuma relatar mudanças que tocam a vida inteira:
- sair do piloto automático;
- tomar decisões com mais clareza, porque sabe para onde quer ir;
- unir o que ama ao próprio sustento;
- enfrentar as crises com mais firmeza, porque tem um porquê;
- cuidar melhor do corpo e da energia vital;
- viver relações mais verdadeiras, baseadas em servir e não em ser visto;
- sentir uma felicidade que dura, e não só a euforia do momento.
O que o Ikigai não é
Para clarear de vez, vale dizer também o que o Ikigai não é:
- Não é ser o melhor do mundo. É ser o melhor para o mundo. O seu dom encontra a necessidade de alguém.
- Não é o emprego perfeito. Muita gente vive o Ikigai fora do trabalho, e está tudo bem.
- Não é uma resposta única e definitiva. Ele amadurece com você. O Ikigai dos 20 anos não precisa ser o dos 60.
- Não é competição. A prosperidade com sentido cresce quando você coopera, e não quando você compete.
- Não é só para quem tem tempo livre. Ele cabe na rotina mais apertada, porque começa no jeito de olhar para o dia.
Uma pequena prática para começar hoje
Antes do exercício completo dos quatro círculos, eu te proponho um gesto simples, para começar a ouvir o seu porquê:
- Pegue um papel e uma caneta. Reserve dez minutos sem celular.
- Escreva no alto da folha: "O que me fez sentir vivo nesta semana?"
- Liste tudo o que vier, sem julgar. Pode ser uma conversa, um prato, uma tarefa, um pôr do sol.
- Circule os três itens que mais aqueceram o seu peito.
- Para cada um, pergunte: "O que, nisso, é a minha cara?" Escreva uma frase.
- Guarde a folha. Amanhã, faça de novo, por sete dias.
No fim da semana, leia tudo. Você vai perceber que algumas palavras se repetem. Elas são pistas. O Ikigai raramente aparece como um raio. Ele se revela aos poucos, nas coisas que você já faz quando ninguém está pedindo.
Quem pode buscar o seu Ikigai?
Qualquer pessoa, em qualquer idade. O jovem que está escolhendo uma profissão, o adulto que sente que a carreira perdeu o sentido, quem acabou de se aposentar e se pergunta "e agora?", quem passou por uma perda e precisa reencontrar o chão.
Também é um caminho para terapeutas, coaches e educadores que acompanham outras pessoas em processos de autoconhecimento. Quem trabalha com propósito precisa, antes, ter feito a própria travessia.
Não é preciso ter dom especial, nem uma vida organizada, nem saber de antemão o que vai encontrar. Basta a coragem de fazer as perguntas e a paciência de esperar as respostas. Algumas chegam em dias. Outras levam meses. Todas chegam no tempo certo para quem continua perguntando com honestidade.
Se você quer fazer o exercício completo, com perguntas para cada círculo, leia Como descobrir o seu Ikigai: o exercício dos 4 círculos. E, se quer um caminho prático para levar o propósito para a rotina, escrevi também Como encontrar o seu propósito de vida.
Se você sente que, antes do propósito, precisa se conhecer mais fundo, os arquétipos são uma ótima porta: comece por O que são arquétipos.
Em resumo
- Ikigai quer dizer, em tradução livre, razão de viver.
- No Ocidente, ele é explicado pelo encontro de quatro círculos.
- Os encontros entre os círculos formam paixão, missão, vocação e profissão.
- O Ikigai é associado à longevidade de Okinawa, a ilha dos centenários.
- Não é ser o melhor do mundo, é ser o melhor para o mundo.
Perguntas frequentes
O que significa Ikigai?
Ikigai é uma palavra japonesa formada por iki, ligado a viver, e gai, ligado a valor, àquilo que vale a pena. Em tradução livre, significa razão de viver: o motivo pelo qual você acorda todas as manhãs.
Quais são os 4 círculos do Ikigai?
O que você ama, aquilo em que você é bom, aquilo de que o mundo precisa e aquilo pelo que você pode ser pago. Os encontros entre eles formam a paixão, a missão, a vocação e a profissão. No centro, onde os quatro se tocam, está o Ikigai.
Ikigai é a mesma coisa que propósito de vida?
São conceitos vizinhos. O propósito é a direção que dá sentido às suas escolhas. O Ikigai é a razão de viver que se expressa no dia a dia, nas pequenas e nas grandes coisas. Quem encontra o seu Ikigai costuma enxergar o propósito com mais clareza.
Ikigai tem a ver com trabalho?
Também, mas não só. No diagrama ocidental, dois círculos falam de trabalho e dinheiro. No Japão, porém, o Ikigai pode estar nos netos, num jardim, num ofício ou numa comunidade. Ele é maior do que a profissão.
O que Okinawa tem a ver com o Ikigai?
Okinawa, no Japão, é conhecida como a ilha dos centenários, uma das chamadas zonas azuis, regiões com muitas pessoas que vivem mais de cem anos. Lá, ter um porquê, cultivar laços e manter-se ativo fazem parte da vida de cada dia.
Como saber se já encontrei o meu Ikigai?
Um sinal comum é acordar com vontade de começar o dia, mesmo nos dias difíceis. Outro é perceber que o tempo passa sem você notar quando está fazendo aquilo. O Ikigai não precisa ser grandioso: precisa ser verdadeiro para você.
Um convite do coração
Se este texto acendeu uma pergunta em você, ela merece tempo e cuidado. No curso Ikigai, eu conduzo o exercício dos 4 círculos passo a passo e te acompanho no chat de cada aula, para que o seu porquê saia do papel e entre na sua manhã.
Sem pré-requisito
Ikigai: Propósito de Vida Saudável, Próspera e Feliz
O exercício dos 4 círculos, o segredo da longevidade de Okinawa e Nicoya e as práticas para viver o seu propósito no dia a dia.
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De amor, com amor e ainda mais amor a ti.
Namastê · Otávio Leal (Dhyan Prem)
Quem escreve
Otávio Leal (Dhyan Prem)
Um dos precursores da visão holística no Brasil, astrólogo desde 1985, psicanalista e Terapeuta holístico há mais de 40 anos, iniciado no Budismo Tibetano no Nepal. Fundador da Escola Humani Amor, em São Paulo, ensina terapias e práticas espirituais há mais de 40 anos. Autor de 9 livros, entre eles Estilos de Reiki (Editora Alfabeto). Foram 29 anos na Rádio Mundial e 6 anos no programa Momento Zen, ao lado da Monja Coen.
As práticas descritas neste artigo são integrativas e complementares e não substituem diagnóstico, medicamento ou acompanhamento médico e psicológico.


