Mantra · Para aprofundar

Mantras e seus significados: Om, Om Mani Padme Hum, Om Namah Shivaya e os sons dos chakras

Os mantras mais conhecidos do mundo, o sentido de cada um, a tradição de onde vêm, os sons-semente dos chakras e um caminho simples para escolher o mantra que combina com o seu momento.

Otávio Leal (Dhyan Prem)
Otávio Leal (Dhyan Prem)Autor do Livro de Ouro dos Mantras
10 min de leitura
Mão segurando um japamala de contas de madeira durante a repetição de um mantra

Resposta rápida

Os mantras mais conhecidos têm significados amplamente aceitos. O Om é o som primordial das tradições indianas. Om Mani Padme Hum, dos budistas tibetanos, costuma ser traduzido como a joia no lótus e é o mantra da compaixão. Om Namah Shivaya significa reverência a Shiva, a consciência que transforma. Om Shanti pede paz. Os bija mantras LAM, VAM, RAM, YAM, HAM e OM são os sons-semente dos chakras. Conhecer o sentido dá alma à repetição.

Neste artigo
  1. Por que conhecer o significado de um mantra?
  2. Om (Aum): o som primordial
  3. Om Mani Padme Hum: o mantra da compaixão
  4. Om Namah Shivaya: a reverência a Shiva
  5. Gayatri: a prece pela luz
  6. Om Shanti e outros mantras de paz
  7. Os mantras de Tara
  8. Os mantras dos chakras: os bija mantras
  9. O Pai-Nosso em aramaico e os mantras de outras tradições
  10. Preciso pronunciar o sânscrito perfeitamente?
  11. Como escolher o seu mantra, passo a passo

Namastê, amada e amado.

Quando alguém começa a praticar mantras, a pergunta que vem logo é: "Otávio, o que significa o que eu estou repetindo?". E é uma pergunta linda, porque mostra respeito. O som já toca o corpo por si só, mas, quando você conhece o sentido, a repetição deixa de ser mecânica e vira oração.

Neste guia eu explico o significado dos mantras mais conhecidos, a tradição de onde vem cada um, os sons-semente dos chakras e como escolher o mantra certo para o seu momento.

Por que conhecer o significado de um mantra?

Um mantra funciona em duas camadas. A primeira é o som: a vibração, o ritmo, a respiração. A segunda é o sentido: a intenção, a qualidade ou o princípio que aquele som carrega.

Há mestres que dizem que o som basta. Eu respeito, mas, depois de décadas praticando e ensinando, percebo que o aluno que entende o que diz pratica com outro coração. Ele não repete por repetir. Ele sabe a que porta está batendo.

Por isso, antes de qualquer prática, eu ensino três coisas sobre cada mantra: de onde vem, o que significa e quando usar.

Om (Aum): o som primordial

O Om é o mantra dos mantras. Nas tradições indianas ele é considerado o som primordial, a vibração de onde nasce a criação. Aparece no começo e no fim de muitos textos sagrados e abre grande parte dos outros mantras.

Ele também é escrito Aum, porque se desdobra em três sons:

  • A, associado ao estado de vigília, quando estamos acordados no mundo;
  • U, associado ao estado de sonho;
  • M, associado ao sono profundo, sem sonhos.

E depois do M vem o silêncio, que representa a consciência além desses três estados. Por isso, ao entoar o Om, deixe sempre um instante de silêncio no final. Ele faz parte do mantra.

Om Mani Padme Hum: o mantra da compaixão

É o mantra mais recitado do Budismo Tibetano. Está ligado a Avalokiteshvara, o bodisatva da compaixão, chamado no Tibete de Chenrezig. Você o encontra gravado em pedras, em rodas de oração e em bandeiras que o vento leva pelas montanhas.

A tradução mais conhecida é "a joia no lótus":

  • Mani é a joia, a mente desperta, a compaixão;
  • Padme é o lótus, a flor que nasce no lodo e se abre limpa à luz.

O sentido é belíssimo: a sabedoria e a compaixão podem florescer no meio da vida, com todas as suas dificuldades, como o lótus floresce na lama.

Om Namah Shivaya: a reverência a Shiva

Om Namah Shivaya significa "reverência a Shiva" ou "eu me curvo a Shiva". É conhecido como o mantra das cinco sílabas: Na, Ma, Shi, Va, Ya.

Na tradição hindu, Shiva é o aspecto do divino que dissolve o que já cumpriu o seu tempo, para que o novo possa nascer. Para muitos praticantes, ele representa a consciência interior, o ser verdadeiro que permanece quando tudo muda. Repetir Om Namah Shivaya é inclinar-se diante dessa consciência que mora em você.

É um mantra muito usado em momentos de transição, de desapego e de recomeço.

Gayatri: a prece pela luz

O Gayatri Mantra é um dos mantras mais antigos e venerados da Índia. Vem do Rig Veda, o mais antigo dos Vedas, e é dedicado a Savitri, o sol em seu aspecto divino, a luz que desperta e vivifica.

O seu sentido costuma ser resumido como um pedido: que a luz divina ilumine a nossa inteligência e guie os nossos pensamentos. Não é um pedido de coisas. É um pedido de clareza. Por isso o Gayatri é tradicionalmente entoado ao amanhecer, quando o sol nasce, como quem abre as janelas da mente para o dia.

Por ser longo e exigir cuidado com a pronúncia, eu recomendo aprendê-lo ouvindo, devagar, sílaba por sílaba, antes de praticar sozinho.

Om Shanti e outros mantras de paz

Alguns mantras curtos são usados para cultivar estados interiores. Os de paz estão entre os mais amados:

  • Om Shanti Shanti Shanti: Shanti quer dizer paz. A repetição três vezes costuma ser explicada como paz no corpo, na mente e no espírito. Muitos encerram as práticas de yoga e meditação com ele.
  • Lokah Samastah Sukhino Bhavantu: um voto de amor universal, que costuma ser traduzido como "que todos os seres, em todos os lugares, sejam felizes e livres".
  • So Ham: quer dizer "eu sou Aquilo". É o mantra da respiração: So na inspiração, Ham na expiração, num ritmo tão natural que acompanha você o dia inteiro.
  • Om Gam Ganapataye Namaha: a saudação a Ganesha, o removedor de obstáculos, tradicionalmente entoada antes de começar algo novo.

Os mantras de Tara

No Budismo Tibetano, Tara é a mãe da compaixão, aquela que socorre com rapidez. Ela tem muitas formas, e duas são especialmente queridas:

  • a Tara Verde, invocada para afastar medos e obstáculos, com o mantra Om Tare Tuttare Ture Soha;
  • a Tara Branca, associada à longa vida, à serenidade e à cura, com um mantra próprio, mais longo.

Eu fui iniciado no Nepal, na tradição do Budismo Tibetano, nos mantras de cura da Tara Branca. Guardo essa transmissão como um dos presentes mais preciosos da minha vida.

Os mantras dos chakras: os bija mantras

Bija quer dizer semente. Os bija mantras são sílabas curtas, sons-semente que, na tradição tântrica, estão ligados a cada chakra e a cada elemento:

Chakra Localização Elemento Bija mantra Qualidade cultivada
Básico (Muladhara) Base da coluna Terra LAM Enraizamento e segurança
Sacral (Svadhisthana) Abaixo do umbigo Água VAM Criatividade e fluidez
Plexo solar (Manipura) Acima do umbigo Fogo RAM Vontade e poder pessoal
Cardíaco (Anahata) Centro do peito Ar YAM Amor e compaixão
Laríngeo (Vishuddha) Garganta Éter HAM Expressão e verdade
Frontal (Ajna) Entre as sobrancelhas Mente OM Intuição e clareza
Coronário (Sahasrara) Alto da cabeça Consciência Silêncio ou OM Conexão com o sagrado

Uma prática simples: sentado, entoe cada bija três vezes, de baixo para cima, levando a atenção ao lugar do chakra. Sinta onde o som vibra. É uma das formas mais bonitas de conhecer o próprio corpo energético.

O Pai-Nosso em aramaico e os mantras de outras tradições

O mantra não é só oriental. O Pai-Nosso, rezado na língua aramaica, a língua de Jesus, ganha uma musicalidade que muitos alunos descrevem como profundamente comovente. Na tradição hebraica, as letras sagradas e os nomes de Deus da Cabala são meditados como sons de poder. E os povos originários guardam cantos xamânicos que se repetem ao ritmo do tambor.

Cada tradição tem a sua pronúncia, a sua forma e o seu contexto. Por isso eu digo sempre: aprenda com quem respeita a origem de cada mantra.

Preciso pronunciar o sânscrito perfeitamente?

Essa é uma dúvida que paralisa muita gente. A resposta honesta tem dois lados.

De um lado, a pronúncia importa. O mantra é som, e as tradições cuidaram por séculos de transmitir cada sílaba com precisão. Por isso vale aprender com calma, ouvindo quem pratica, e corrigir o que for preciso.

Do outro lado, a intenção importa ainda mais. Ninguém nasce pronunciando bem. Eu vejo alunos que começam tímidos, tropeçando nas sílabas, e em poucas semanas entoam com segurança e emoção. O sagrado não está esperando a sua perfeição para te receber. Está esperando a sua presença.

Algumas dicas práticas: comece pelos mantras curtos, como o Om e os bija mantras; repita devagar, separando as sílabas; e só aumente a velocidade quando o som estiver firme.

Como escolher o seu mantra, passo a passo

  1. Olhe para o seu momento. Você busca paz, coragem, recomeço, amor, foco? Escreva numa frase.
  2. Escolha pelo sentido. Para paz, Om Shanti. Para compaixão, Om Mani Padme Hum. Para transformação, Om Namah Shivaya. Para começar algo, Om Gam Ganapataye Namaha. Na dúvida, o Om.
  3. Aprenda a pronúncia com calma, ouvindo alguém que pratica.
  4. Defina horário e número: ao acordar ou antes de dormir, de 27 a 108 repetições.
  5. Pratique 21 dias sem trocar de mantra.
  6. Observe: anote como você se sente. O mantra conversa com cada pessoa de um jeito.

Se você ainda está entendendo o que é um mantra, comece por O que é mantra. Se quer aprofundar com pronúncia, mudras e prática guiada, escrevi Como aprender mantras. E, para levar o mantra à meditação, vale conhecer os tipos de meditação.

Em resumo

  • O Om é considerado o som primordial e abre muitos outros mantras.
  • Om Mani Padme Hum é o grande mantra tibetano da compaixão.
  • Om Namah Shivaya é a reverência a Shiva, com cinco sílabas sagradas.
  • Cada chakra tem um som-semente, o bija mantra.
  • Escolha um mantra pelo sentido e pratique o mesmo por pelo menos 21 dias.

Perguntas frequentes

Qual o significado do Om?

Nas tradições indianas, o Om, também escrito Aum, é considerado o som primordial, a vibração de onde nasce a criação. As letras A, U e M são associadas aos estados de vigília, sonho e sono profundo, e o silêncio depois do som representa a consciência além deles.

O que significa Om Mani Padme Hum?

É o mantra mais recitado do Budismo Tibetano, ligado a Avalokiteshvara, o bodisatva da compaixão, chamado no Tibete de Chenrezig. Costuma ser traduzido como a joia no lótus: a sabedoria e a compaixão que florescem no meio da vida, como o lótus floresce no lodo.

O que significa Om Namah Shivaya?

Om Namah Shivaya significa reverência a Shiva, ou eu me curvo a Shiva. É chamado de mantra das cinco sílabas, Na, Ma, Shi, Va e Ya. Para muitos praticantes, Shiva representa a consciência interior, o princípio que dissolve o velho para que o novo possa nascer.

Quais são os mantras dos chakras?

Na tradição tântrica, cada chakra tem um som-semente, o bija mantra: LAM para o chakra básico, VAM para o sacral, RAM para o plexo solar, YAM para o cardíaco, HAM para o laríngeo e OM para o frontal. O coronário costuma ser associado ao silêncio ou também ao OM.

Qual mantra usar para ter paz?

O Om Shanti Shanti Shanti é o mantra tradicional da paz: Shanti quer dizer paz, e a repetição três vezes costuma ser explicada como paz no corpo, na mente e no espírito. O Lokah Samastah Sukhino Bhavantu, que deseja felicidade a todos os seres, também é muito usado para cultivar serenidade.

Posso praticar mais de um mantra?

Pode, mas para quem está começando eu recomendo escolher um só e praticá-lo todos os dias por pelo menos 21 dias. A constância com um mantra ensina mais do que conhecer muitos superficialmente. Depois, você pode ter mantras diferentes para momentos diferentes.

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Otávio Leal (Dhyan Prem)

Quem escreve

Otávio Leal (Dhyan Prem)

Um dos precursores da visão holística no Brasil, astrólogo desde 1985, psicanalista e Autor do Livro de Ouro dos Mantras, iniciado no Budismo Tibetano no Nepal. Fundador da Escola Humani Amor, em São Paulo, ensina terapias e práticas espirituais há mais de 40 anos. Autor de 9 livros, entre eles Estilos de Reiki (Editora Alfabeto). Foram 29 anos na Rádio Mundial e 6 anos no programa Momento Zen, ao lado da Monja Coen.

Site oficial · YouTube

As práticas descritas neste artigo são integrativas e complementares e não substituem diagnóstico, medicamento ou acompanhamento médico e psicológico.

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