Resposta rápida
As técnicas de respiração mais usadas para a ansiedade são a respiração abdominal, a respiração com expiração longa, a respiração quadrada, a respiração alternada do Yoga e a respiração completa. Em comum, elas desaceleram o ritmo e alongam a expiração, o que favorece o relaxamento. Pratique sentado, sem forçar, por alguns minutos ao dia. Elas podem ajudar muito no dia a dia, mas não substituem acompanhamento médico ou psicológico quando a ansiedade é intensa ou persistente.
Neste artigo
- Por que a respiração ajuda na ansiedade
- O que é pranayama
- Cuidados antes de começar
- As técnicas de respiração lado a lado
- 1. Respiração abdominal
- 2. Respiração com expiração longa (4 e 6)
- 3. Respiração quadrada
- 4. Respiração alternada (Nadi Shodhana)
- 5. Respiração completa: abdominal, intercostal e peitoral
- Como transformar a respiração em hábito
- Para ir além da respiração
Namastê, amada e amado.
De todas as práticas que conheço para acalmar a mente, a respiração é a mais simples, a mais barata e a que está sempre com você. Ela vai junto para a reunião difícil, para o trânsito, para a madrugada em que o sono não vem. Ninguém pode tirá-la de você.
Neste guia, eu te ensino cinco técnicas de respiração para a ansiedade, do jeito que ensino aos meus alunos: devagar, com segurança e sem misticismo exagerado. Se você ainda está entendendo o que é a ansiedade e como ela se manifesta, comece pelo artigo Como controlar a ansiedade.
Por que a respiração ajuda na ansiedade
Repare como você respira quando está ansioso. O ar fica curto, alto, preso no peito. Os ombros sobem. Às vezes a gente até prende a respiração sem perceber.
Agora repare como respira um bebê dormindo: devagar, com a barriga subindo e descendo. A respiração reflete o estado emocional. E o mais bonito é que o caminho também funciona ao contrário: quando mudamos a respiração, ajudamos o corpo a mudar de estado.
Respirar mais devagar e, principalmente, alongar a expiração favorece a resposta de relaxamento do organismo, aquela que nos ajuda a sair do modo de alerta. Não é mágica. É fisiologia que as tradições antigas já conheciam pela experiência.
Há ainda um efeito mais sutil. Enquanto você conta o ar que entra e o ar que sai, a mente tem onde pousar. O pensamento acelerado precisa de combustível, e a atenção é esse combustível. Quando a atenção vai para a respiração, a história ansiosa perde um pouco da força. Por isso eu digo que respirar com consciência já é uma pequena meditação.
O que é pranayama
Pranayama é a parte do Yoga dedicada à respiração. Prana significa energia vital, e ayama, expansão ou condução. Pranayama é, então, a arte de conduzir a energia vital através do fôlego.
Para os mestres do Yoga, a respiração é a ponte entre o corpo e a mente. Quem aprende a respirar aprende a se acalmar, a se concentrar e a se recolher. Os chineses falam em Chi, os indianos em Prana: mudam as palavras, a experiência é a mesma.
No Yoga clássico, o pranayama vem antes da concentração e da meditação, como um degrau. Primeiro se aquieta o corpo com as posturas, depois se aquieta o fôlego, e só então a mente se aquieta. Você não precisa conhecer toda essa filosofia para se beneficiar. Basta saber que está usando uma ferramenta testada por muitas gerações de praticantes.
Cuidados antes de começar
- Pratique sentado, com a coluna confortável, ou deitado, se preferir.
- Nunca force o ar. A respiração deve ser suave, sem esforço.
- Se sentir tontura, volte a respirar naturalmente e descanse.
- Prefira respirar pelo nariz, a não ser quando a técnica pedir a boca.
- Comece com três a cinco minutos e aumente aos poucos.
As técnicas de respiração lado a lado
| Técnica | Como é | Melhor momento | Para quem |
|---|---|---|---|
| Respiração abdominal | Barriga sobe ao inspirar e desce ao expirar | Todos os dias, para criar o hábito | Iniciantes |
| Expiração longa (4 e 6) | Soltar o ar por mais tempo do que se inspira | Momentos de ansiedade forte | Todos |
| Respiração quadrada | Quatro tempos iguais, com pausas | Antes de uma reunião, prova ou decisão | Quem precisa de foco |
| Respiração alternada | Alterna as narinas, uma de cada vez | Fim de tarde, para equilibrar | Quem já tem alguma prática |
| Respiração completa | Abdômen, costelas e peito, em ondas | Ao acordar ou antes de dormir | Quem quer aprofundar |
1. Respiração abdominal
É a base de todas as outras. Também chamada de respiração diafragmática.
- Sente-se ou deite-se. Coloque uma mão no peito e outra na barriga.
- Inspire pelo nariz, devagar, deixando a barriga subir. A mão do peito quase não se mexe.
- Expire pelo nariz ou pela boca, devagar, sentindo a barriga descer.
- Continue por três a cinco minutos, sem pressa.
Se a barriga não quiser se mexer, não se preocupe. Muitos de nós aprendemos a "encolher a barriga" a vida inteira. O corpo reaprende com a prática.
2. Respiração com expiração longa (4 e 6)
É a minha recomendação para os momentos de ansiedade forte, porque é simples e discreta. Ninguém percebe que você está praticando.
- Inspire pelo nariz contando mentalmente até quatro.
- Solte o ar devagar, pelo nariz ou pela boca entreaberta, contando até seis.
- Repita por um a três minutos.
- Se estiver confortável, alongue a expiração para oito.
O segredo está em soltar o ar por mais tempo do que você o puxa. É como dizer ao corpo: "pode descansar, está tudo bem agora".
3. Respiração quadrada
Ótima para organizar a mente antes de um momento importante.
- Inspire contando até quatro.
- Segure o ar com suavidade contando até quatro.
- Expire contando até quatro.
- Fique sem ar, com suavidade, contando até quatro.
- Repita por dois a quatro minutos.
Se as pausas trouxerem desconforto, pratique sem elas. Respirar em tempos iguais já ajuda a dar foco.
4. Respiração alternada (Nadi Shodhana)
Um pranayama clássico do Yoga, usado para equilibrar e acalmar.
- Sente-se com a coluna ereta. Com o polegar direito, feche a narina direita.
- Inspire pela narina esquerda.
- Feche a narina esquerda com o dedo anelar, solte a direita e expire pela direita.
- Inspire pela direita.
- Feche a direita, solte a esquerda e expire pela esquerda.
- Esse é um ciclo. Faça de cinco a dez ciclos, devagar, sem reter o ar.
5. Respiração completa: abdominal, intercostal e peitoral
É a respiração em três andares, uma das mais belas do Yoga.
- Inspire primeiro enchendo o abdômen.
- Continue inspirando e sinta as costelas se abrirem para os lados.
- Termine a inspiração enchendo suavemente o peito, até a altura das clavículas.
- Expire na ordem inversa: peito, costelas e, por último, abdômen.
- Faça de cinco a dez respirações, como uma onda que sobe e desce.
Como transformar a respiração em hábito
Uma técnica aprendida e esquecida não ajuda ninguém. O que transforma é a regularidade. Algumas sugestões:
- Ancore a prática num hábito que já existe: três minutos de respiração abdominal logo depois de escovar os dentes.
- Use lembretes: um alarme suave no meio da tarde, só para respirar.
- Pratique quando estiver bem, e não só na crise. Assim o corpo já conhece o caminho quando precisar.
- Faça um desafio de 21 dias, uma técnica por semana, anotando como se sente.
- Seja gentil consigo. Esqueceu um dia? Recomece no outro, sem culpa.
Com o tempo, muita gente percebe algo curioso: começa a notar a respiração curta antes mesmo de a ansiedade crescer. Esse é um dos maiores presentes da prática. Você passa a perceber o alarme no início, quando ainda é fácil desligá-lo, e não só quando ele já está tocando alto. É assim que a respiração deixa de ser uma técnica de emergência e vira um modo de viver.
Para ir além da respiração
A respiração é a porta. Do outro lado dela estão o movimento lento do Tai Chi e do Chi Kung, o relaxamento profundo do Kum Nye tibetano e a meditação. Se você sente que a ansiedade pede um cuidado mais amplo, com corpo, mente e o jeito de viver, escrevi Aprender a lidar com a ansiedade. E, para conhecer as escolas de meditação que nasceram da respiração consciente, leia Tipos de meditação.
Em resumo
- A respiração é a ponte mais rápida entre o corpo e a mente.
- Alongar a expiração favorece o relaxamento.
- Pranayama é o nome que o Yoga dá à arte de conduzir a respiração.
- Comece com poucos minutos e nunca force o ar.
- Regularidade conta mais do que intensidade.
Perguntas frequentes
Qual a melhor respiração para ansiedade?
Para a maioria das pessoas, a respiração com a expiração mais longa que a inspiração é a mais simples e eficaz para o momento: inspire contando até quatro e solte contando até seis. Para o dia a dia, a respiração abdominal e a respiração completa ajudam a criar um ritmo mais calmo.
Respiração ajuda mesmo na ansiedade?
Muitas pessoas relatam que sim. Respirar mais devagar e alongar a expiração favorece a resposta de relaxamento do corpo. A respiração é uma ferramenta valiosa e complementar, mas não substitui acompanhamento médico ou psicológico quando a ansiedade é intensa ou persistente.
O que é pranayama?
Pranayama é a parte do Yoga dedicada à respiração. Prana é a energia vital e ayama significa expansão ou condução. São técnicas para conduzir o fôlego e, com ele, equilibrar o corpo, as emoções e a mente.
Quanto tempo devo praticar a respiração por dia?
Comece com três a cinco minutos, uma ou duas vezes por dia, e aumente aos poucos se for confortável. A regularidade importa mais do que a duração. Praticar todos os dias, mesmo por pouco tempo, ajuda o corpo a aprender um ritmo mais tranquilo.
Respiração para ansiedade pode dar tontura?
Pode, principalmente quando se força o ar ou se respira rápido demais. Se sentir tontura, volte a respirar naturalmente e descanse. Quem tem problemas respiratórios, cardíacos, pressão alterada ou está grávida deve conversar com o médico antes de praticar técnicas com retenção do ar.
O que é a respiração quadrada?
É uma técnica em quatro tempos iguais: inspirar, segurar, expirar e segurar, contando até quatro em cada fase. Ela ajuda a organizar o ritmo e a dar foco à mente. Iniciantes podem começar sem as pausas, só com inspiração e expiração no mesmo tempo.
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Namastê · Otávio Leal (Dhyan Prem)
Quem escreve
Otávio Leal (Dhyan Prem)
Um dos precursores da visão holística no Brasil, astrólogo desde 1985, psicanalista e Psicanalista e terapeuta holístico há mais de 40 anos, iniciado no Budismo Tibetano no Nepal. Fundador da Escola Humani Amor, em São Paulo, ensina terapias e práticas espirituais há mais de 40 anos. Autor de 9 livros, entre eles Estilos de Reiki (Editora Alfabeto). Foram 29 anos na Rádio Mundial e 6 anos no programa Momento Zen, ao lado da Monja Coen.
As práticas descritas neste artigo são integrativas e complementares e não substituem diagnóstico, medicamento ou acompanhamento médico e psicológico.


